Depois de passar três meses em África, sair de Portugal tornou-se evidente para Alexa Rodrigues que, em maio passado, decidiu ir viver para a cidade de Amesterdão, na Holanda.
A portuguesa encara a emigração com naturalidade e tenta «ser o menos emigrante possível». E mais: «Para mim, emigrar é como deixar de fumar. Os dois primeiros meses são horríveis, mas passando essa fase, sentimos que a nossa vida fica muito melhor.»

«Shortcutzé mais do que um festival ou uma mostra de filmes. Pretende-se uma autêntica revolução urbana de ideias, projetos e pessoas na área das curtas metragens e que, dessa forma, se torne parte indissociável e constante da vida criativa, cultural e artística das cidades envolvidas no projeto», explica Alexa Rodrigues.
Shortcutz bem recebido pelos holandeses
A forma como o projeto foi recebido pelos holandeses é, para Alexa Rodrigues, um facto que marca a diferença. «Teve uma aceitação surpreendente, bastante melhor do que as expectativas. Quando cheguei, pensei em implantar o projeto em paralelo com outras atividades, mas após as reações iniciais, decidi transformá-lo na minha ocupação principal. Já tive pessoas com currículos invejáveis a pedirem para ficarem ligadas ao Shortcutz Amsterdam, por considerarem que a ideia tem tudo para singrar e ajudar a indústria cinematográfica holandesa. Nunca tinha sentido apoio de uma forma tão declarada e ativa como este em Portugal», explica.
A forma de trabalhar dos holandeses também é apontada por Alexa como sendo diferente da forma portuguesa. «As pessoas estão geralmente melhor organizadas e os projetos fluem de outra forma, há muito respeito pelos recursos humanos e o mais importante: não há ninguém que nas reuniões assuma a figura do “dissuador”. Em Portugal há quase sempre alguém cujo único papel é dizer os impedimentos à concretização do projeto ou de como a sua implementação é impossível. Devido a estas duas ultimas variáveis há projetos inovadores e criativos que morrem (quase) à nascença ou a sua implementação torna-se quase impossível.»
Como membros do júri, o Shortcutz Amsterdam já conta com os maiores nomes da indústria cinematográfica holandesa, desde produtores e realizadores a apresentadores, atores e até outras figuras de relevo no país. As sessões no Shortcutz Amsterdam acontecem todas as quartas-feiras, no Canvas Op de 7e (Wibautstraat 150), das 20H00 às 22H00.
Um momento feliz
«Durante a apresentação do projeto Shortcutz Amsterdam, na NBF [Associação Holandesa de Profissionais do Cinema e da Televisão], tivemos o prazer de conhecer o realizador George Sluizer [realizou, entre outros, Jangada de Pedra, filme baseado no romance de José Saramago]. Ficou tão contente por ter alguém com quem falar português que nos convidou para uma sessão de cinema em sua homenagem no Eye Film Museum. Na altura do Q&A, pediu ao entrevistador que conduzisse a sessão em inglês, para que os dois portugueses presentes pudessem seguir a conversa. Aqui está um género de consideração que não se vê em muitos sítios.»
Um momento menos feliz
«Alugar casa pode ser uma experiência traumatizante em Amesterdão. Houve uma altura em que achei que não estava a tentar alugar uma casa, mas a candidatar-me a uma. Tive que enviar CVs e resultados de pesquisas ao meu nome no Google, por exemplo.»
Viver num barco
«Estou a ter pela primeira vez a experiência de viver num barco. Uma coisa que antes nunca tinha pensado fazer. Está a ser genial. É um barco histórico, que já foi do JP Morgan e do Warren Beatty, as histórias fantásticas que já devem ter passado por aqui!»
A frontalidade holandesa
«Os Holandeses dizem tudo o que pensam frontalmente. Se não forem com a vossa cara, podem ter a certeza que vos vão dizer isso, sem hesitar. Pessoalmente, adoro. A vida é muito curta e há muitas pessoas no mundo. Se não há empatia, há muita gente por aí com quem “empatizar”. Para pessoas mais sensíveis, o choque pode ser enorme e podem ser levados a pensar que os Holandeses são pessoas frias. Nada de mais errado. Passado o impacto inicial, os Holandeses são divertidos e bastante espontâneos.»
Anos dourados
Alexa Rodrigues continua ligada aos projetos que acredita em Portugal, mas, por agora, os objectivos são novos desafios profissionais e um mercado que lhe dê expectativas. «Somos um país de pessoas incríveis, mas neste momento andamos com um grave problema de autoestima.»
«Tenho saudades do meu país, a saudade está no sangue de qualquer Português que se preze. Mas também sinto que, em termos de perspectivas, o país está estagnado por uns anos, infelizmente. Se esperasse que o país recuperasse perdia os meus “anos dourados” profissionais. Para progredir, sair do país foi a minha única alternativa.», conta Alexa.
Uma pessoa diferente
«Emigrar dá-nos sempre uma certa modéstia. É fácil estarmos mais que ambientados nas nossas cidades de origem, eu sentia isso em Lisboa. Começar do zero é que é sempre difícil, mas também é uma aventura. Por mais que assuste, sou uma confessa viciada em adrenalina.»
Uma frase para definir experiência
«I want movement, not a calm course of existence. I want excitement and danger and the chance to sacrifice myself for my love. I feel in myself a superabundance of energy which finds no outlet in our quiet life.» Leon Tolstoy
Mais do que tudo é um Coração Luso
Um Coração Luso é um coração enorme, com uma curiosidade com a globalidade da espécie humana em toda a sua heterogeneidade. Ou pelo menos assim espero!
Saiba Mais
facebook.com/ShortcutzAmsterdam andgodcreatedtheblackdress.blogspot.pt
Alexa Rodrigues vai brevemente lançar um livro baseado no seu blog And God Created the Black Dress com o nome Mulher Crónica. Um desafio da editora Fonte da Palavra.














