Ana Botas, 33 anos, natural de Santarém, licenciada em Educação de Infância, emigrou para o Reino Unido há cinco anos. A insatisfação a nível profissional e financeiro foi o principal motivo de deixar Portugal em 2013. Para trás, fica a frustração de várias tentativas falhadas de uma vida estável, mas também a família e os amigos. A vida de Ana agora é em Manchester, Reino Unido.

 

A ideia de viver fora de Portugal só surgiu depois de ter passado por diferentes empregos, em Portugal e, concluir que “não saía da cepa torta”. Aliado a isto, também o namorado, André, tinha a vontade de viver fora do país, o que ainda deu mais força à vontade de Ana,“o descontentamento pela situação económica e a vontade de querer evoluir foram as principais razões pelas quais decidi vir para UK. Inicialmente, foi ideia do André que já tinha tido a experiência de viver num País estrangeiro. Ele conseguiu um emprego em Manchester e eu decidi acompanhá-lo nesta aventura.”

 

Um começo difícil

Começar de novo num outro país nem sempre é fácil, muitos são os emigrantes portugueses que relatam os primeiros meses, ou até anos, como sendo muito difíceis e, muitas vezes, levando ao arrependimento. Quando chegou a Manchester, o percurso da Ana também não foi fácil, levando-a a questionar se teria tomado a decisão certa. “No início confesso que foi bastante difícil, o meu nível de inglês não se comparava ao de agora, pois hoje felizmente já falo fluentemente.Tive que trabalhar em jardins-de-infância privados como auxiliar de educação para ganhar experiência e me adaptar à língua e à cultura. Nestes passei por várias experiências de bullying durante quase dois anos, o que me levou a voltar a Portugal para uma pausa e reflexão junto da minha família.”

 

Projetos realizados

Depois de reflectir sobre o seu futuro e ganhar forças, Ana regressou a Manchester com mais força do que nunca, com a certeza de que era para vencer. Foi então, que criou um projeto pessoal The Portuguese Language Lovers onde dá aulas de português a estrangeiros, atividade essa que concilia com o trabalho em várias escolas multiculturais do concelho de Manchester e, também, a dar aulas de Português a nível privado através de escolas de línguas. Recentemente, começou a trabalhar para o CIE Department como Examiner. O percurso de Ana começou sinuoso, mas a sua determinação em querer vingar num outro país falou mais alto, com persistência e dedicação, Ana conseguiu conquistar o seu espaço e realizar-se enquanto profissional.

 

Não acredito que em Portugal fosse possível, pois quase ninguém tem a possibilidade de investir em aulas particulares, mesmo os estrangeiros que lá residem podem sempre fazer amizades ou language exchange com portugueses. A concorrência lá também seria maior. Aqui sinto que o meu trabalho é valorizado.

Uma emigrante integrada

O Reino Unido é conhecido pela sua multiculturalidade e Manchester não é excepção, muitas são as nacionalidades e culturas presentes na cidade. Uma realidade bem aceite por Ana, que considera que depois destes anos a viver fora é uma emigrante mais rica “esta experiência faz de mim uma visionária porque permite-me ver a realidade de uma forma mais aberta, mais inspiradora.”

Contudo, na balança da emigração, se numa medida se ganha, noutra se perde, a família e as tardes de sol é algo que não pode ter todos os dias, “enquanto emigrante ganho cultura, cresço a nível pessoal e profissional.Perco mais momentos passados com a família e tardes de sol sentada na esplanada a beber uma bica.”.

 

Voltar a Portugal

Sempre que pode, Ana volta a Portugal, mas apenas para matar saudades e visitar a família e amigos, um regresso definitivo não está previsto. Porém, é Portugal que traz no coração, “Portugal: “Ninho” A minha história de vida começou em Portugal, e por tal tenho isso em consideração.”.

 

 

O outro lado da emigração, quem fica

“A minha irmã Ana é uma pessoa fantástica, ambiciosa, lutadora, e sonhadora. Luta sempre pelos seus objetivos e é muito determinada naquilo que quer para a sua vida, ela procurou uma vida melhor e está a vivê-la da melhor forma possível como uma princesa no seu bosque encantado que apesar de ser cinzento torna-se a princesa das neves quando neva. Luta sempre pelos seus sonhos para que eles se tornem reais e é com essa força interior que ela têm que sela por realizar parte dos seus sonhos. É uma pessoa que é fiel ao amar a sua família, namorado, os seus amigos, e jamais esquecendo-os. A minha irmã é também super criativa, está sempre a arranjar motivações, a criar algo de novo, do seu gosto e a evoluir e isso é muito bom pois é uma pessoa confiante dela própria e das suas capacidades.”

Sara Botas, irmã

 

Recorda-se do dia em que a Ana lhe disse que ia emigrar? Qual foi a sua reação?

Claro que me recordo. Já foi há uns anitos mas é impossível esquecer, afinal é a minha irmã. Em primeiro lugar fique um pouco em choque porque é sempre uma preferência ter a minha irmã por perto que longe, mas depois acabei por compreender que dadas as circunstancias a melhor opção para ela seria mesmo emigrar infelizmente por um lado, mas por outro lado, felizmente pois o que realmente importa é as pessoas estarem felizes onde estiverem, e seria uma boa escolha uma vez que Portugal por vezes não nos deixa com outras alternativas.

 

Para si quais os aspetos positivos da emigração da Ana?

A meu ver, os aspetos positivos com a emigração da minha irmã, são: A evolução como ser humano, ver outro país, conhecer outro país e outras pessoas de diferentes culturas. Arranjar emprego com mais facilidade e possivelmente trabalhar-se na sua área, já que aqui em Portugal não há muitas soluções viáveis.

 

Como é estar longe da Ana? Como se matam as saudades?

Estar longe de uma das pessoas mais importantes das nossas vidas não é fácil, seria bem melhor que a minha irmã estivesse por perto para vivermos mais momentos juntas, mas lá está se soubermos que a pessoa está bem já é um conforto. As saudades matam-se um pouco por via Skype ou facebook, as tecnologias são uma mais valia nestas alturas para podermos nos ver e falar. Mas sem dúvida que as Saudades só são totalmente matadas quando estamos juntas pessoalmente, partilhando momentos que passam tão rápido mas que permanecem para sempre na nossa alma e no nosso coração.

 

Esta história em números

Dias sem ir a Portugal: 85

Quilómetros que separam Ana da família: 2531,7km

Fuso- horário: O mesmo que em Portugal.

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Mara Alves
É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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