Viver fora de Portugal nunca esteve nos planos de Ana de Oliveira. Sempre pensou que nunca seria capaz de deixar para trás a família, os amigos e Portugal. Mas as circunstâncias da vida deram-lhe força para ver um horizonte mais abrangente para o seu futuro. Em 2013, trocou o Porto por Swansea, País de Gales, para seguir o sonho de um dia vir a ser enfermeira.

 

Por Impulso

Ana tinha apenas uma disciplina, do ensino secundário, por completar, o que lhe deixava bastante tempo livre. Nessa altura decidiu responder á recruta dos bombeiros de Aveiro e candidatar-se ao curso. Terminou o curso de bombeira com sucesso e recebeu nota positiva no exame nacional de Matemática. A vida sorria para Ana, que conseguiu nesse mesmo ano entrar no curso de enfermagem na Universidade de Aveiro mas a falta de emprego e as dificuldades financeiras para sustentar o curso longe de casa fizeram-na dar um passo atrás e desistir do curso.

Numa manhã de Setembro recebeu uma mensagem da sua irmã gémea, que dizia “Vamos para o UK?”. Ana respondeu impulsivamente que “Sim”, e em poucos dias compraram as passagens de avião para iniciar esta aventura.

Viver fora de Portugal nunca esteve na ideia de Ana. Sempre pensou que nunca seria capaz de deixar para trás a família, os amigos e Portugal. Mas as circunstâncias da vida deram-lhe força para ver um horizonte mais abrangente para o seu futuro.

 

Novos horizontes

Neste momento, Ana vive em Swansea, País de Gales, e trabalha como empregada de balcão e assistente de cuidados. Ana de Oliveira conta que a mudança para o País de Gales permitiu que recomeçasse os seus estudos, enquanto mantem os dois empregos. Está no momento na “College” a tirar “Access to Nursing”, uma preparação para quem quer seguir enfermagem na Universidade. Ana escreve que está finalmente a trabalhar em algo que gosta e por um salário justo que lhe permite pagar todas as suas despesas. Valoriza também, o facto de com esta experiência poder conhecer pessoas de diferentes culturas, nacionalidades e tipos de pensamento que de outra forma não conseguiria conhecer.

Com a mudança para o País de Gales, Ana teve de se adaptar a novas rotinas. Ir para a cama depois das 23 horas já é considerado bastante tarde e o jantar costuma ser servido entre as 18 e as 20 horas. Apesar destes horários, diz que sair á noite não está restrito ao fim-de-semana e que a animação nos bares começa todos os dias às 18 horas e termina por volta das 2 da madrugada. No momento, a sua vida social  resume-se a seis amigos, onde inclui a sua irmã. Nem todos vivem em Swansea, mas comunicam regularmente através do Facebook. Mudaram também as suas perspectivas sobre trabalho, já que se em Portugal o emprego escasseava em Inglaterra é relativamente fácil de encontrar, segundo conta.

 

Habituação e pormenores

Ana considera-se uma emigrante feliz, uma pessoa positiva e motivada. Diz que adora estudar e trabalhar, e que luta com todas as suas forças para alcançar os seus objectivos. Estar parada não é para Ana, que escreve sentir-se em pânico quando tem dois dias de folga seguidos.

Destaca como um dos momentos mais positivos o dia em recebeu 63 libras de gorjeta enquanto trabalhava como empregada de balcão, num hotel. Um dos piores, o afastamento da sua irmã gémea (com quem viajou até ao país de Gales) que por motivos laborais teve de ir viver para Londres. Ana conta que na altura foi difícil, mas que hoje já está habituada à ideia e que a viagem até Londres custa apenas 5 libras o que permite encontros mais regulares.

A gastronomia britânica ainda não é um dos prazeres de Ana, que diz sentir alguma confusão em, por exemplo, comer uma torrada com manteiga, feijão e ketchup para o pequeno-almoço. Estranha também o facto de vários ingleses não saberem onde fica Portugal e de lhe indicarem as posições geográficas mais absurdas quando lhes diz que é portuguesa.

De Portugal, diz que sente saudades da família e amigos, mas que não pode deixar de sublinhar, as saudades dos rissóis de carne da sua avó.  Sente falta também da fruta portuguesa, uma vez que, segundo Ana, a fruta em Inglaterra parece mais artificial e tem um sabor completamente diferente. Ana afirma, sentir-se surpresa, mas que são estes pequenos detalhes do que sente mais falta.

Ana afirma que até aqui, tem conseguido alcançar todos os seus objectivos para Inglaterra. Diz também, não pensar voltar a trabalhar em Portugal, pelo menos para já. Confirma sentir que não há lugar para ela em Portugal e que essa foi a principal razão que a fez sair do país. Outro motivo que a leva a não pensar em voltar, são os salários muito mais competitivos em Inglaterra. Ana explica que o salário mínimo são 6,50 libras por hora e que este tem vindo a aumentar, outro factor é também o pagamento semanal que lhe permite gerir melhor as suas finanças.

Para Ana, a vida desde que está em Inglaterra reflecte-se numa frase que leva sempre no pensamento, “ A vida é uma aventura ousada ou nada.”- de Helen Keller.

Se pudesse levava para o País de Gales a sua avó,  que Ana considera ser a mulher da sua vida.

Para Ana a sua “casa” continua a ser Portugal, mas ainda pretende ficar alguns anos em Inglaterra. Candidatou-se este ano ao curso de enfermagem, numa Universidade em Inglaterra, e se tudo correr bem será enfermeira em 2018.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Incondicionalmente, e faço questão de o mostrar. Hoje, uma colega galesa, realçando o fato de eu ser tão lutadora e positiva disse-me: ‘Quem me dera ter uma alma portuguesa! És uma inspiração para todos!’

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Mara Alves
É a fundadora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

6 COMENTÁRIOS

  1. “O sonho comanda a vida” e concretizou-se…
    Ninguém tinha dúvidas dessa tua força de vencer!
    Miss you so much 💗
    Bjs grandes da madrinha, tio e priminhos.

  2. Um beijinho grande do tio Armando. Fico feliz por saber que persegues o teu sonho. Querer é poder e se realmente é esse o teu objectivo, não tenho dúvidas de que vais consegui-lo.
    Lembra-te sempre que somos a Pátria dos grandes navegadores que deram novos mundos ao mundo.Homens e Mulheres de grande coragem dos quais és descendente. Fomos sempre um Povo migrante, espalhado por todos os lugares da Terra. Essa é a nossa e a tua grandeza.
    Um abraço dos tios e primas.
    Estamos sempre presentes.

  3. Sem dúvida um orgulho para todos os jovens e também para os menos jovens, um exemplo a seguir pela coragem e atrevimento de se lançarem por conta própria o que nos dias de hoje não é comum em jovens !!!! PARABENS pelo teu percurso e sem dúvida és uma heroína e um exemplo a seguir !!!
    Luta vence porque os sonhos podem tornar-se objetivos alcançáveis, fico feliz por saber que a tua felicidade é reflexo da tua ambição e realização !!! Beijinhos dos primos, tio e tia !!!!

  4. Da forma como lutas um dia todos os teus objetivos vão ser alcançados porque eu sei que sim . Adoro-te pedacinho de mim…

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