Os objectivos de Ana Rita Gomes, de 24 anos, estavam bem traçados quando decidiu fazer um estágio no estrangeiro. Através de uma amiga, conheceu a AIESEC e com esta, oportunidades de estágio pelo mundo. Mas o destino trocou-lhe as voltas quando foi informada de que não havia qualquer estágio disponível, na altura, para a área de Sociologia.

 

“Fecha-se uma porta abre-se uma janela”

Apesar deste entrave, Rita acabou por receber outra proposta por parta da mesma amiga que lhe havia apresentado o projecto. “E porque não voluntariado no estrangeiro?”- propôs a amiga. Rita admite que nunca tinha ponderado esta hipótese mas decidiu dar-lhe uma oportunidade.

Havia vários países por onde escolher. Rita viu aqui a oportunidade de conhecer um país e uma cultura diferente e acabou por considerar que, sem dúvida, esta seria uma experiência sociológica, relevante.

O desejo de conhecer a Índia falou mais alto. Os pais de Rita nem quiseram acreditar quando esta lhes contou que escolheu a Índia, pois não a imaginavam fora da Europa e dos seus costumes.

Apesar de, antes de chegar á Índia, Rita sonhar em conhecer os pontos turísticos e o mundo místico que envolve este país, estava a par das condições pobres em que vive a maior parte da população e do choque cultural que iria ser.

 

Aterragem em Mumbai

Rita chegou ao aeroporto de Mumbai em pleno mês de Julho. E aí sim, teve noção de que tinha escolhido ir para a Índia.

A estudante de Sociologia conta que o primeiro impacto foi o de querer voltar para casa pois as expectativas eram bastante altas e a própria não tinha a certeza se iria conseguir concluir esta experiência.

Chegou então a Cochin, cidade onde iria ficar durante 2 meses a dar aulas de Inglês e a ensinar sobre reciclagem a crianças entre os 6 e os 15 anos.

Apesar de ser necessária adaptação, esta não foi tão difícil como Rita havia esperado. A hospitalidade e a amabilidade da população local levou a melhor, e passado uma semana Rita já se sentia integrada.

Cochin é uma cidade com um custo de vida bastante baixo para um ocidental. Comparativamente, Delhi era bastante cara e onde se notavam as maiores discrepâncias económicas.

Apesar de Cochin ser uma cidade bastante pobre, Rita relata que foi em Delhi que teve a experiência mais chocante. A estudante deparou-se com vários cadáveres humanos espalhados pelas ruas. Pessoa que morreram e ninguém as socorrera, porque ali era normal acontecer assim. Os corpos eram deixados ali a apodrecer e todos estavam proibidos de lhes tocar. Rita conta que as pessoas chegavam mesmo a passar por cima dos cadáveres como se de um saco se tratasse.

 

Felicidade

Apesar dos níveis de pobreza, para Rita as pessoas de Cochin eram felizes porque não tinham tantos problemas “pequenos” com que se preocupar.

Ao contrário do que acontece em Portugal ou noutros países ocidentais, quando tocava a campainha para o fim das aulas as crianças da escola onde Rita ensinava, ficavam tristes e com pena que aquele dia tivesse chegado ao fim.

A convivência diária com estas pessoas acabou por transformar um pouco as ideias de Rita, que conta, que por exemplo, se antes se chateava com a mãe por esta não lhe dar uma camisola que queria, hoje em dia essa camisola já não tem qualquer importância.

 

Leis diferentes

Se as pessoas eram amáveis e faziam Rita sentir-se em casa. As leis não eram bem assim.

A Índia tem leis rígidas no que toca às mulheres. É proibido as mulheres saírem á rua depois de o Sol se pôr. Apesar de saber disto, numa das últimas noites no país, Rita e mais dois colegas de voluntariado decidiram ir despedir-se da praia onde costumavam ir.

Já passava da meia-noite quando os dois rapazes a foram buscar de mota.

Deslocaram-se então até á praia que ficava apenas a alguns quilómetros de Cochin.

Depois de pararem as motas e já no areal, deparam-se com um clarão que era projectado das lanternas de dois polícias que patrulhavam a praia. Decidiram fugir. Correram para as motas, e acabaram por despistar os polícias uma vez que estes seguiam a pé.

Pensando que já estavam livres, pararam as motas para comentar o sucedido. Até que, foram surpreendidos por outra dupla de polícias que os repreendeu e que ainda pediu um suborno ao verem que Rita era estrangeira. Mas com alguma conversa e ao verificarem que Rita não trazia nada com ela, deixaram o trio partir apenas com uma reprimenda.

Rita voltou para Portugal a 20 de Setembro de 2014, mas diz já ter saudades. Planeia regressar ainda este ano á India mas desta vez como turista para matar saudades de amigos que lá deixou.

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