a foto de capa deste artigo “toy” de seiichi o está licenciada por uma licença CC BY 2.0

Como qualquer madrinha, gosto de surpreender a minha afilhada mais nova com brinquedos que lhe façam os olhos brilhar de alegria. E é então que dou por mim a percorrer a lista de brinquedos mais populares adequados para a sua tenra idade de quatro aninhos: bonecas, vestidos para bonecas, uma trotineta, um ferro de engomar… Esperem! Voltei para a minha pesquisa e percebi que tinha selecionado a opção “Meninas”. Daí me ter aparecido o ferro de engomar e uma vassoura em miniatura.

Eu gostaria muito de ser aquele tipo de pessoa que sorri ao olhar para a foto em miniatura da menina a fingir que está a passar a ferro, oh quanto eu gostaria! Mas não posso. Pior, não consigo. Que mensagem estamos nós a passar? Nem é sequer uma mensagem subliminar. É clara. Está à vista de todos nós. Nós todos corroboramos com ela.

Eu não tenho filhos, mas certamente não gostaria de ver a minha filha a fingir que varre o chão. Não porque o trabalho em si seja ultrajante, mas não lhe estaria eu a incutir o dever de tais tarefas? No entanto, as minhas reflexões levaram-me a concluir que o problema não é estes brinquedos proporcionarem histórias do faz de conta para estas crianças. O que diria uma mãe se visse o seu filho a brincar com o ferro de engomar, fingindo estar a passar a ferro as suas pequenas camisas?

Sim, foi o que eu também pensei. Então o problema não são os brinquedos em si, mas o facto de os brinquedos terem um sexo. O sexo discriminatório.

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