Desta vez, revelamos uma história de uma coração luso que vive em Portugal, a inspiradora história de Bruno Colaço, o fotojornalista que encara a forma de fotografar casamentos como se de um acontecimento jornalístico se tratasse.

Bruno Colaço tem 29 anos e é fotojornalista freelancer. «Uma profissão bonita e gratificante, mas também muito precária. Também sou pai, mas neste campo já faço parte dos quadros, tenho dois filhos: a Matilde de três anos e o pequeno Gonçalo, com apenas quatro meses», conta Bruno.

Desde 2006, Bruno trabalhou como fotojornalista para várias publicações nacionais. Em 2012, tornou-se membro da WPJA (Wedding Photojournalist Association). Atualmente, divide o tempo entre o fotojornalismo num jornal diário e o fotojornalismo de casamentos.

Ainda muito longe de imaginar que viria a fotografar casamentos, Bruno Colaço, por vezes, ajudava um colega de profissão. Essencialmente, acompanhava-o em casamentos com muitos convidados e ao longo do dia, entre o registo das fotografias «obrigatórias», Bruno ia fazendo o próprio registo. «No fundo, fazia as fotografias que por norma não eram sequer consideradas como hipótese num casamento convencional. E assim construí o meu portfólio, que não era mais do que imagens soltas, deste e daquele casamento, mas que no fundo continha a mensagem que queria passar. Demorou menos de duas semanas a surgirem os primeiros clientes e nunca mais parei», explica o fotógrafo.

 

Encarar a fotografia de casamentos como uma possibilidade séria

A entrada para o mundo da fotografia de casamentos foi, assim, um acaso. «A verdade é que nunca me imaginara a trabalhar na especialidade, pelo menos da forma convencional. Não conseguia assimilar a ideia de que todos os casamentos tinham de ser captados da mesma forma, mudando apenas os protagonistas», conta. A crise económica que se faz sentir no país também «empurrou» de certo modo Bruno Colaço para esta área da fotografia. Contudo, foi o incentivo de algumas pessoas próximas que levaram Bruno a decidir sobre tornar-se um fotógrafo de casamentos. «Incentivado pela minha esposa e motivado por uma nova e brilhante geração de fotógrafos, tudo começou a fazer sentido para mim e decidi encarar o dia do casamento como um dia normal de trabalho num jornal, como fotojornalismo de casamentos», refere.

 

Uma vida sem grandes rotinas e imprevisível até ao último instante

«Enquanto fotojornalista, levo uma vida sem grandes rotinas, imprevisível até ao último instante e muito gratificante. Contudo, tem um lado perverso que se traduz na instabilidade económica com que por vezes se vive e isso levou-me a encarar, pouco a pouco, a fotografia de casamentos como uma possibilidade séria. Por outro lado, também o grande desafio que foi para mim acreditar que podia fazer algo diferente do convencional, que fotografar casamentos podia e teria de ser algo que me desse muito prazer fazer», explica Bruno Colaço.

 

Fotografar casamentos sem interferir no momento

«Para mim, a fotografia de casamentos tem de ser descontraída, informal, emotiva, espontânea e única. Quem melhor que os noivos para preparar um dia tão especial? Quem melhor que os noivos, os familiares e os amigos para o desfrutarem da melhor forma possível, sem interferências do fotógrafo? Se a resposta é óbvia, quem melhor que o fotógrafo para registar o que realmente acontece nesse dia?»

 

O dia de um casamento igual a um dia de trabalho no jornal

O nervosismo inerente à responsabilidade de fotografar um acontecimento é uma sensação que, para Bruno, é sentida de igual forma nas duas áreas de trabalho. «Continuo a sentir o mesmo frio na barriga antes de começar a fotografar um casamento. Exactamente igual ao que me acontece antes de fotografar, por exemplo, um grande evento desportivo, enquanto fotojornalista. Surpreendente», confessa Bruno.

De certo modo, fotografar um casamento liberta Bruno de algumas responsabilidades que um fotojornalista deve ter perante um acontecimento jornalístico. No entanto, o dever de captar e entregar uma história coerente, contada em fotografia, mantém-se.
«Óbvio que não existe o interesse jornalístico, nem tão pouco o dever de imparcialidade que é exigido a um jornalista e claro que o termo fotojornalista de casamentos não é mais do que uma forma de definir um estilo de fotografar casamentos, um estilo inspirado no fotojornalismo. No entanto, existe o interesse pessoal dos noivos ou não fosse esse um dos dias mais importantes das suas vidas e o dever de captar e entregar uma história coerente, contada em fotografias. Tudo o resto é igualmente estimulante: a responsabilidade exigida, os imprevistos, as condições de luz variáveis, a velocidade a que muitas vezes as coisas acontecem… e ai reside a beleza!»

 

Sair do país não é uma possibilidade

«Neste momento, não o vejo como uma possibilidade, pelo menos de forma definitiva. Este ano tenho já agendado um casamento em Madrid e se pontualmente surgirem oportunidades semelhantes não hesitarei em aceitar», conta Bruno Colaço.

 

Um trabalho feito de grandes momentos

«Sorrio sozinho, sempre que olho pelo viewfinder da câmara e perante mim acontece um grande momento… Sinto-me realizado quando o consigo captar. Não me recordo de um único momento triste desde que comecei a fotografar casamentos e ai reside uma grande diferença em relação ao fotojornalismo.»

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Defino-me como alguém que acredita que, cá dentro, podemos ser tão fortes como lá fora. Um coração luso-fotográfico!

Saiba Mais

weddingsbybrunocolaco.com  facebook.com/bcweddingphotojournalism

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É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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