Catarina Correia tem 24 anos e saiu de Portugal a 16 de dezembro de 2012, mudou-se para Inglaterra com o objetivo de ficar apenas um mês e depois rumar à Islândia para perto do seu namorado.

 

Abandonou o seu país em busca de dias melhores, de poder ter uma vida estável, de construir um futuro ao lado do namorado. Para já, atingiu o objetivo principal, é feliz e sente-se bastante realizada e orgulhosa do caminho que escolheu.

Voltar a Portugal? Sim, mas não para já!

 

Adeus Portugal, Olá Islândia

Sair de Portugal foi uma decisão bem delineada, já fazia parte dos planos, mas não no papel de uma verdadeira emigrante. “Sempre quis sair de Portugal por algum tempo, era algo que fazia parte dos meus planos… Não queria de modo algum ser uma “emigrante”, queria simplesmente sair por 6 meses no máximo para conhecer novas culturas, novos países. No entanto, quando me deparei com esta nova realidade, não foi fácil.”.

A vida estava complicada, não havia perspetivas para o futuro. O namorado saiu primeiro e ter uma relação à distância não era solução “Quando nos disseram que emigrar e começar uma vida juntos tão longe de tudo e de todos ia ser mais complicado que sobreviver cada um para seu lado pensámos apenas 5 minutos e comprámos as viagens… Há quem diga que foi por amor, nós por brincadeira dizemos que foi por teimosia!”.

Por teimosia ou amor, o objetivo era o mesmo: ter uma vida estável. Para trás ficaram os pais e duas irmãs adolescentes de quem sente muitas saudades, mas nem isso a fez mudar de ideias.

 

Como gerir a saudade

Despede-se sempre das irmãs enquanto dormem, é sempre duro dizer adeus “Ainda hoje evito despedir-me delas a não ser enquanto dormem. Não há uma maneira fácil de deixar quem gostamos”.

Sente-se em vantagem em relação aos emigrantes dos anos 70 e 80, hoje em dia a tecnologia permite que se matem as saudades. Apesar de não ser a mesma coisa, Catarina sente-se privilegiada “Posso ver a minha família todos os dias ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás com quem emigrou, mas toda a moeda tem duas faces, eu costumo dizer que o Skype é muito bom, até o ligarmos na noite de Natal e ver a mesa posta, a família reunida, e estar sozinha numa casa que não é tua.”.

Para Catarina o Skype é uma ajuda, mas afinal não mata saudades nenhumas “O que mata as saudades é sentir o perfume da minha mãe, o abraço forte do meu pai, as discussões intermináveis das minhas irmãs adolescentes!”.

 

Uma vida estável fora de Portugal

Desde que emigrou a vida de Catarina mudou radicalmente quer na vida pessoal quer na vida profissional.

A viver na Islândia, vive numa casa com o namorado sem estar dependente de ajudas dos familiares, o que antes parecia uma miragem enquanto estava em Portugal.

A nível profissional, começou por trabalhar numa fábrica de peixe, depois passou para as limpezas, passou por um supermercado e hoje trabalha numa fábrica de chocolate, e para além do trabalho que desempenha como qualquer outro funcionário da fábrica, foi convidada pelo patrão a frequentar uma formação de higiene e segurança no trabalho, e juntamente com outra colega, tem a responsabilidade de garantir o cumprimento das normas bem como os relatórios de acidentes de trabalho. Hoje sente que já conseguiu alcançar alguns feitos, que apesar de não serem os suficientes já são um motivo de orgulho.

 

Regresso a Portugal

“Das mãos de Deus tudo aceito, mas que eu morra em Portugal”, é com um fado de Amália Rodrigues que Catarina responde à pergunta “Tem a ambição de regressar a Portugal?”.

Faz parte dos portugueses e de Portugal, mas ainda não está na hora de voltar, por enquanto prefere investir no seu futuro para que um dia o seu regresso a Portugal seja tranquilo e não tenha que recomeçar do zero, apenas começar o que um dia foi forçada a adiar “Quando vim para cá fiz um “acordo” com o meu namorado, aproveitar um pouco esta oportunidade e estabilizar as coisas de forma a garantirmos a nossa independência na altura do nosso regresso.”.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Se ser um coração Luso é chorar a ouvir Fado, se é ansiar por ver Lisboa, se é ter parte de nós em Portugal, então sim, sou e serei sempre um coração luso! Sou e faço questão de ser um coração luso. Sou e serei sempre a “dona” do país mais bonito do mundo e trarei comigo, todas as vezes, uma tristeza enorme por saber que não há espaço para mim em Portugal.

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