A primeira vez que saiu de Portugal foi para viver em Florianópolis, no Brasil. Na altura, Celso Cardoso estava a fazer o mestrado. Esta experiência veio alterar o percurso deste consultor de informática, pois quando regressou do Brasil tinha uma certeza: queria ter uma experiência profissional internacional.

 

Cerca de um ano e meio depois de ter entrado no mundo do trabalho, Celso teve uma proposta de trabalho em Amesterdão e foi esse o destino que se seguiu. «Terminado o curso, comecei a trabalhar para a Novabase, mas ao fim de um ano e meio surgiu-me uma proposta de trabalho em Amesterdão, que aceitei. Atualmente, devido ao projeto no qual estou inserido em Amesterdão, encontro-me a trabalhar em Bangalore, Índia, por um período de três meses», conta o português.

 

Viver fora de Portugal sempre foi um objectivo pela experiência

Em termos de projetos pessoais, Celso Cardoso considera que viver na Holanda permite-lhe ter uma vida mais tranquila, «a médio/longo prazo de certeza que vai ajudar a concretizar alguns objetivos quer pessoais quer profissionais», conta Celso, e mais adianta: «defino-me como um emigrante curioso por conhecer e explorar novas culturas, não um emigrante por obrigação». «Sei que tenho lugar em Portugal, porque tinha um emprego bastante estável, mas sinto que as condições que existem não permitem que pense regressar a Portugal num futuro próximo. Trabalha-se demasiado e não se é nem valorizado nem compensado como tal», diz Celso Cardoso.

 

Os sonhos

Celso confessa: «gostava e espero ainda conseguir trabalhar na Austrália e dar uma volta ao mundo. E obviamente regressar a Portugal.»

 

Em Amesterdão, uma vida social ativa

Em Amesterdão, onde vive, Celso Cardoso refere que tem uma vida social preenchida entre convívio com outros portugueses e pessoas de outras nacionalidades. «O meu grupo de amigos é maioritariamente constituído por portugueses. Cada vez existem mais e normalmente encontramo-nos numa comunidade portuguesa para matar saudades da comida portuguesa e assistir a jogos de futebol. Em muitas saídas juntam-se a nós pessoas de outros países, desde o sul da América, Europa até Ásia. Amesterdão é uma cidade onde existem cerca de 160 nacionalidades diferentes», conta.
Contudo, o convívio com holandeses não se perpetua: «infelizmente, não conheço muitas pessoas holandesas. Na minha opinião, eles têm uma cultura muito fechada».

 

O menos positivo

«Em termos culturais, a cultura holandesa não me atrai muito. Tal como referi, são um povo muito fechado. A não ser que tenham raízes de outro país ou já tenham vivido noutro país. Outra coisa que não gosto é o serviço ao cliente deles. Dois exemplos: em restaurantes, podem servir primeiro alguém que efetuou um pedido depois de ti; se tiveres de ligar para um banco para alguma assistência, primeiro tens de passar por vários menus em holandês em que pedem para premir números que correspondem às opções. Fora isso, são bastante prestáveis se for preciso alguma informação», conta Celso.

 

O mais positivo

Celso Cardoso destaca o trabalho, a cultura e as bicicletas como sendo os aspetos mais positivos de viver em Amesterdão. «A cultura de trabalho deles, o facto de a maioria das pessoas andar de bicicleta, a quantidade de mercados de rua que existem quase todos os dias, imensas opções culturais que existem na cidade», destaca o português.

 

Regressar a Portugal está nos planos

«Neste momento penso regressar a Portugal, mas tudo vai depender do rumo que a minha vida levar. Não sou uma pessoa muito ambiciosa. Em termos profissionais gostava de tirar um MBA e em termos pessoais continuar a viajar o máximo que conseguir».

 

Uma frase para definir esta experiência

«Como trabalho como freelancer e a minha permanência em cada país pode ser curta ou longa, defino algo tipo: viver numa “instabilidade estável”».

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Acho que me sinto mais português agora do que anteriormente. Dou muito mais valor a Portugal do que dava antes. Há sempre uma nostalgia quando regresso. Uma coisa importante: tento aproveitar ao máximo e da melhor forma o tempo com amigos e família. Considero-me um coração luso.

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É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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