Há quatro anos, a vida e o amor levaram Cristina Rodrigues até Manchester, Inglaterra, onde mora desde então. Não escolheu a cidade, muito menos emigrar, mas com uma relação à distância que já durava há bastante tempo decidiu dar este passo para a relação poder evoluir.
A mudança para Manchester não foi a primeira aventura de Cristina no estrangeiro. Já tinha morado em Sevilha, Espanha, e mudado várias vezes de cidade dentro de Portugal, por isso compreendeu que seria mais fácil para ela fazer a mudança em vez de ser o companheiro, que já morava em Inglaterra há 17 anos.
Inspiração

É daí que vem a inspiração de Cristina. Desse declínio humano e ambiental, porque tanto a terra como as pessoas ficam ao abandono. A terra, porque fica sem ninguém para a trabalhar e as pessoas, porque, segundo Cristina, são tratadas pelo governo como «menos pessoas».
Nesses lugares que se tornam praticamente desertos, as pessoas ficam privadas de algumas necessidades básicas, como os centros de saúde, o que para Cristina é uma violência à liberdade do ser humano. Assim, com projetos como DfD – Design for Desertification e 21 Century Rural Museum, Cristina tenta levar pessoas de volta para estes lugares e alertar para o impacto da desertificação.
Portas e janelas abertas
Cristina trabalha atualmente na Manchester Metropolitan University, onde dá aulas e está a terminar o doutoramento. Diz não ter levado expectativas para Inglaterra, porque logo em Portugal contactou a universidade a fim de saber se poderia prosseguir com o seu doutoramento e lecionar na Universidade.

Desistir nunca passou pela mente de Cristina, pois diz que nunca se propôs a fazer nada que não conseguisse atingir. Mas considera que a mudança para Manchester foi um momento difícil, por já ter 30 anos e não ter o inglês como língua nativa. Não se sentia confortável na língua inglesa a um nível académico. O primeiro desafio foi voltar a estudar a língua. O segundo desafio foi aprender a comunicar casualmente em inglês. Perceber as piadas, entender as piadas culturais, tentar inserir-se nesta nova cultura. Explica que há também um dilema psicológico que se baseia nas expectativas que a família tem para a própria, o facto de os ter deixado para trás, de a família esperar que lá estivesse, mas já não estar. Para Cristina, isso tem um impacto na vida de ambos. E só vivendo essa situação se consegue perceber a responsabilidade que um emigrante carrega ao sentir que deixou os seus para trás.
As saudades que a trazem e levam de volta

Se pudesse trazia para Portugal (quando vem de férias) o seu cão e para Manchester levava a sua família, com quem costuma manter contacto através do telefone e do Skype. O Facebook também é um aliado para a família se manter a par do que faz por Inglaterra, o que acaba por torná-los mais próximos.
Em Manchester, Cristina sente-se em casa. Já não se sente imigrante e prefere, até, beber cerveja inglesa enquanto está em Manchester e deixar a portuguesa para quando vem de férias. Continua a trabalhar com Portugal, tem um ateliê em Idanha-a-Nova e outro em Manchester. Afirma sentir-se apoiada pelo país. Trabalha com mulheres que antes nada tinham a ver com a arte, tanto em Portugal como em Inglaterra. Juntas, fazem um trabalho extraordinário, pela arte sentem-se unidas.
Para Cristina, um dos momentos mais marcantes desta jornada foi, sem dúvida, a exposição que apresentou no Mosteiro dos Jerónimos, em Portugal, mas que foi desenhada em Manchester. O segundo momento foi uma exposição que realizou em Manchester com a ajuda das mulheres com quem trabalha, tanto porque a exposição foi um sucesso como também porque, segundo a própria, «a solidariedade e a amizade que surgiu no processo de criação é algo indescritível. Para mim foi, embora difícil, um dos momentos mais felizes da minha vida».
Cristina considera a comunidade portuguesa de Manchester discreta e capaz de trabalhar em conjunto quando quer. Apesar de não se juntarem todos em festas e para ir ao café, quando é preciso apoiam-se uns aos outros.
Comunidade de raízes

Quando se fala em descriminação, Cristina conta que já foi várias vezes tratada com pouco respeito, mas não considera isso descriminação. Explica que quando vamos às finanças em Portugal o mesmo pode acontecer e aí sabemos que não é descriminação, porque estamos no nosso próprio país. «Acho que, no fundo, em todos os países existem pessoas que estão bem ou mal dispostas em determinados dias…, mas, se calhar, como estamos noutro país, pensamos logo: “porque eu sou português ela fala assim para mim…”. Isso não tem a ver com a minha nacionalidade, tem a ver com a pessoa em si.», explica.
Cristina considera a sua existência rica por já ter vivido em alguns países e explica que isso vai enriquecendo a sua formação cultural e o seu trabalho. Não pensa voltar a morar em Portugal tão cedo. Acaba por ver isso como uma regressão depois de tudo o que tem apreendido.
Mais do que tudo é um Coração Luso
Acima de tudo, eu amo o meu país. […] Sinto-me um coração do mundo, sinto-me uma pessoa do mundo, que é capaz de viver em qualquer parte. […] Não posso dizer que sou Lusa, porque não seria feliz se vivesse em Portugal, ia sentir sempre que havia um outro mundo para descobrir, e a arte é tudo isso… […] É a capacidade de improvisarmos com a nossa própria vida..”
Saiba Mais
cristinarodrigues.co.uk facebook.com/cristinarodriguesartist















Oh Bruno, o que é a arte? Nem todas podem ser Vasconcellos e fazer de corações arte.
Para ser totalmente honesto, não tenho a certeza absoluta que saiba o que é a arte. Suponho que, para mim, é qualquer criação humana que desperta algo em mim que não sabia ter cá dentro. Fiz-me entender?
Agora pergunto, que tem isso a ver com o assunto em discussão? Eu altero o meu texto anterior, da seguinte forma:
Tão pouco entendo que o Martim veja que a Cristina “utiliza o nome do país dela para fazer arte (PALAVRAS SUAS)”. O TRABALHO da Cristina é inspirado pelo seu país, ponto. Achar isso um aproveitamento ou usurpação é, a meu ver, absurdo.
Minha querida Mara, obrigado pela sua explicação. De qualquer modo não estou totalmente convencido, pois o artigo em questão parece-me mera promoção a uma artista que pode fazer coisas bonitas, mas a partir do momento que diz não ser feliz em Portugal, eu não entendo porque utiliza o nome do país dela para fazer arte,logo não entendo esta entrevista. É a minha opinião.
Caro Marim António Soares e já agora Mara Alves, parece que ambos fizeram uma interpretação muito imediata daquilo que disse. Como O Marim deve imaginar eu não sou esta entrevista, sou uma pessoa como muitas outras e quem redigiu o que eu disse seleccionou aquilo que entendeu ser mais interessante. O que quero dizer é que não seria feliz se vivesse apenas em Portugal. Adoro o meu País e o meu trabalho é a ilustração desse amor. Sou uma pessoa muito curiosa, estudei e dou aulas no Reino Unido, na China e sinto-me uma pessoa do mundo pois passei a admirar também estas culturas. Isto não muda a minha admiração por Portugal. Ao falar daquilo que sou como pessoa tenho que falar do meu trabalho pois é parte de mim aliás como todos os outros entrevistados o fazem.
Cara artista, você pode dar aulas onde quiser isso não faz de si mais importante que eu, ou outra pessoa qualquer. Se você gostasse de Portugal não dizia que não era feliz lá. Eu também já vivi em UK e sei muito bem como as coisas são. E se quer que lhe diga, acho que há muito boa a gente a emigrar e depois vão para Portugal com o carimbo “vivo fora” como se isso fosse um dote e pena quem dá valor por isso e mais não digo!
Caro Martim, não ser feliz em Portugal não é (praticamente) um pressuposto de quem emigra? E isso não significa, nem vejo isso em parte alguma da entrevista, que a pessoa não nutra amor pelo seu país.
Tão pouco entendo que o Martim veja que a Cristina “utiliza o nome do país dela para fazer arte”. A arte da Cristina é inspirada pelo seu país, ponto. Achar isso um aproveitamento ou usurpação é, a meu ver, absurdo.
Não apreciei esta esta história. Gosto muito do vosso projeto, mas se falam do amor a Portugal, não entendo as declarações da D. Cristina, com todo o respeito, mas se diz que não é feliz em Portugal, então porque é que se diz artista portuguesa! Mera promoção, acho que deveriam ter mais cuidado.
Martim, respeitamos a sua opinião. Contudo, permita que lhe explique que nós publicamos com o máximo rigor as declarações de cada entrevistado. Se a entrevistada em questão sente assim Portugal teremos de respeitar! Obrigado.