Agosto. O mês das tão aguardadas férias de Verão. Pensar em Agosto é, na maior parte das vezes, pensar em dias descansados à beira mar, em conversas alegres em esplanadas, ou jantares longos e preguiçosos com as pessoas que nos fazem bem à alma. Mas Agosto é também a época da abundância. As hortas vestem-se com os melhores tomates e os legumes mais vistosos. Dos pomares chegam-nos as frutas mais suculentas.

Em Agosto a natureza é generosa. E não só. Os que me são mais queridos também me brindam com ofertas maravilhosas. Nos últimos dias a minha despensa ficou atestada. Os avós ofereceram-me uma sacada de batatas novas, alguns tios trouxeram-me vários quilos de cebola e outros diversos e diferentes tomates, os pais saciaram a minha sede de fruta fresca e variada, e os vizinhos invadiram a minha cozinha com abóboras gigantes. Sou uma afortunada, pois não há nada como uma prateleira ou um armário repleto de fruta e vegetais, para ajudar da foma que quiser.

Talvez Agosto, para além do descanso que proporciona, seja o mês em que nos preparamos para os dias frios e longos de Outono e Inverno. Lembro-me perfeitamente que era nesta altura que a minha avó andava numa roda viva, espalhando frasquinhos de compota e conserva pela cozinha. Na altura eu não pecebia o frenesim, nem entendia o porque de reduzir as frutas frescas a “papa” peganhenta. Porém, a verdade é que meses mais tarde me sabia bem partilhar ao lanche um café de cevada quente com um belo papo-seco a revegar colheradas e colheradas de doce.

Talvez Agosto me tenha alertado para a importância da sazonalidade dos produtos e de como os podemos aproveitar nos dias em que os campos agrícolas já se encontram a descansar sobe uma camada forte de geada. Eu não sou fundamentalista. Confesso que gosto de comer courgetes o ano inteiro, assim como adoro comer tomates ao longo dos 365 dias, por exemplo. Mas é importante saber que cada produto tem a sua altura específica. Penso que é uma forma de respeitarmos a comida, o esforço que sai das mãos de cada agricultor ou do próprio planeta terra, aprendemos que não podemos desperdiçar a comida.

Como não podia deixar de ser, a receita que partilho convosco reflete todo este estado de abundância que refiro. Os pêssegos são do pomar dos pais e as amoras silvestres estão a vestir os campos portugueses. Espero que gostem.

 

Galette de Pêssegos e Amoras Silvestres

Ingredientes para a Massa Areada
(adaptado do livro Receitas, Tipos de Massas e Outras, de Rosa Cardoso)

275g de farinha s/fermento
125g de açúcar
150g de manteiga em cubos (fria)
2 ovos
raspa de 1 limão
raspa de 1 laranja

Ingredientes para o Recheio

750g de pêssego
300g de amoras
2 colher de sopa de açúcar

 

Colocamos todos os ingredientes, excepto os ovos, numa taça e amassamos até obtermos uma consistência areada. (Podem usar um processador de alimentos para fazerem este passo.) Adicionamos os ovos aos poucos e voltamos a amassar até a massa se transformar numa bola. Envolvemosa a massa em película aderente e levamos ao frigorífico durante 30 minutos. Enquanto aguardamos pela massa, colocamos o açúcar numa frigideira antiaderente e levamos a lume brando. Deixamos o açúcar derreter. Juntamos os pessêgos previamente laminados e deixamos caramelizar. Voltamos à massa. Esticamos a massa com jeito sobre uma bancada polvilhada com farinha até obtermos uma espessura de 5mm, aproximadamente, e o formato de um grande círculo. Forramos uma tarteira com papel vegetal. Colocamos a massa na tarteira. No centro da massa colocamos os pêssegos e cobrimos com amoras. Dobramos as bordas da massa, cobrindo parte da fruta. Pincelamos as bordas com o suco dos pêssegos. Levamos ao forno, previamente aquecido a 180ºC, durante 30 minutos. Retiramos do forno e deixamos arrefecer por completo antes de servir.

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Ana Filipa Rodrigues
Cresceu entre escaladas às árvores dos pomares dos avós, gincanas de bicicleta e joelhos constantemente esfolados. Uma infância intimamente ligada às colheitas, às tradições, às rotinas das aldeias do interior do país. Daqui nasceu um respeito muito grande pela mãe natureza. É licenciada em Jornalismo e Comunicação. Tem um gosto muito especial por comida, por sentar as pessoas mais queridas à volta da mesa, por invadir a sua casa com cheiros caseiros que saem do seu forno. As suas experiências gastronómicas encontram-se reunidas no blogue Reservatório de Sensações.

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