Gil estava ainda no curso de enfermagem quando se começou a mentalizar de que ir trabalhar para o estrangeiro seria uma opção. Ver os colegas já licenciados no mesmo curso seguir carreira no estrangeiro abriu os horizontes e ajudou-o a preparar-se mentalmente para esta mudança. Em 2011, quando terminou o curso, seguiu o instinto e começou a tratar das burocracias necessárias para se inscrever na ordem britânica de enfermeiros.

Ter-se preparado psicológicamente, com antecedência, não facilitou o processo, apenas o ajudou a estar, minimamente, preparado para o choque que se seguia.

Em Maio de 2012 começou a trabalhar como enfermeiro na Irlanda do Norte. Ficou lá até Janeiro de 2013, nessa altura, mudou-se para uma pequena vila na costa este de Inglaterra, onde está até agora.

Sair do país aos 22 anos e ter de começar uma vida, assumir responsabilidades sozinho fez com que Gil Figueiredo amadurecesse enquanto pessoa, possibilitou-lhe entrar em contacto com pessoas diferentes na mesma situação dele. Durante esta percurso fez parte da fundação da primeira associação de enfermeiros portugueses no estrangeiro. O enfermeiro, conta que em Inglaterra sente ter oportunidade de carreira, progressão, e acima de tudo a valorização e reconhecimento do seu trabalho.

 

Perseguição do sonho

Gil tem sonhos como qualquer pessoa, mas a nível profissional prefere chamá-los de “objectivos”, porque a maioria deles, segundo o próprio explica, dependem só dele. Sonha em trabalhar no Dubai ou no Estados Unidos. A nível pessoal sonha em correr o mundo a viajar. Diz não ser uma pessoa de grandes exuberâncias. “Uma vida estável e modesta é o objectivo” – conta Gil.

Através desta jornada Gil conheceu aquela que é hoje a sua namorada, esta é a melhor parte que guarda desta experiência. Já teve também, vários momentos maus mas nenhum que escolhesse guardar na memória.

Não se revê como emigrante. Acredita que, cada vez menos, pertencemos a um só local e que cada vez mais somos cidadão do mundo. Na opinião de Gil, temos de nos adaptar a outros locais e culturas. O próprio define-se pelo facto de ser alguém que saiu de Portugal em busca de  melhores condições de vida que o Portugal não encontrava, sobretudo, foi à procura de reconhecimento. Uma das coisas que Gil não consegue encontrar em Portugal neste momento.

No seu dia-a-dia interage com portugueses, não só através da associação de enfermeiros portugueses no estrangeiro, mas também no hospital onde trabalha, já que os enfermeiros portugueses são contratados em grupos para facilitar a integração. A rotina habitual é acordar é acordar ás 6:10 da manhã para ir para o hospital, pois ás 6:45 entra ao serviço. O facto de viver a 5 min do hospital dá-lhe mais alguns minutos de sono. Por dia faz turnos de 12 horas e meia, e no regresso a casa por volta das 19:30, já só tem tempo para um duche, dar uma vista de olhos pelos jornais, jantar e já são horas de se ir deitar!

 

Saudades do passado

De Portugal sente falta do clima, do bom café, da comida mas principalmente da familia e amigos. Não guarda mágoa do país que o viu partir mas sente-se triste por não ter tido a oportunidade de mostrar se é bom ou mau no que faz. Por um lado entende que Portugal não tenha espaço para tantos enfermeiros mas por outro não percebe porque então se formam tantos.

 

“Talvez Portugal seja muito pequeno para mim!”

Neste momento não pensa voltar a trabalhar em Portugal, pelo menos na área de enfermagem. Gil está satisfeito e gosta da forma como se trabalha em Inglaterra e das condições que lhe são oferecidas, que esclarece não serem diferentes das de Portugal, mas sim melhores.

Se pudesse escolher uma frase para descrever o seu percurso, escolheria uma de Ricardo Reis.

— “Põe quanto és no minimo que fazes.”

De Portugal para Inglaterra gostava de levar os amigos, os pais, alguns locais e o calor humano português. Mas, quando está em Portugal também sente falta de algumas características de Inglaterra. Gostava de poder trazer para Portugal o orgulho que os Ingleses têm naquilo que é deles e o civismo britânico.

Voltar a viver em Portugal, é ainda um pensamento distante, talvez só pela altura da reforma. Para já, quer crescer como profissional e trabalhar  em diferentes sitios. Regressa muitas vezes a Portugal mas apenas para férias.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Tenho orgulho no meu país e na sua história. Tento sempre falar de Portugal e das coisas boas que o nosso país tem. Penso que todos nós, que vivemos fora, somos os melhores embaixadores de Portugal no mundo!

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