Gilberto Maia é o rosto de mais um jovem que partiu para encontrar o amor. Foi Tugba quem roubou o coração ao arquitecto de 30 anos e o fez partir rumo ao desconhecido há quatro anos atrás.

 

Hoje chega até nós através das suas ilustrações infantis, as quais desenvolve “com bastantes referências a Portugal ou à minha infância”, esclarece Gilberto.

O país das quinas continua a ser o seu lugar de eleição, mas na Turquia diz que já se sente “mais ou menos em casa”.

 

Um amor com um laivo de arquitectura romana

Quando ouvimos falar de Itália há três ou quatro palavras que lhe associamos: amor e arquitectura certamente farão parte desse conjunto. Pelo menos a Gilberto a associação destas duas últimas, não lhe foram indiferentes.

Corria o ano de 2010, quando Gilberto Maia pegou na sacola e seguiu para Itália. Integrou o programa de Erasmus, complementar à sua licenciatura em Arquitectura. Para além de apreender as reconhecidas técnicas arquitetónicas do país, acabou por encontrar o amor. E nada melhor que Roma para encontrar o amor, não fosse a cidade um anagrama do mesmo.

Gilberto abriu neste momento o seu coração para o mundo. Conheceu uma Turca e a sua vida mudou. Tugba, hoje sua mulher, tornou-se numa “relação à distância que se foi tornando mais séria”, esclarece o português.

 

Turquia à vista

Terminada a formação académica em Itália, fruto do programa Erasmus, Gilberto regressou a Portugal. Tinha assuntos pendentes que careciam a sua presença: “a tese de mestrado e o estágio para a ordem dos arquitectos”, explica Gilberto. Contudo, o seu pensamento estava distante e o seu coração também.

Não se deixou demover, numa fase inicial, e terminou a tese. Arranjou emprego como arquitecto. Ainda assim continuava uma vaga por preencher. Havia um coração que ansiava uma arquitectura diferente, uma estrutura a que só uma paixão turca poderia responder. Isso, aliado ao culminar da crise económica em Portugal, não o fez hesitar: “juntei o útil ao agradável e mandei-me de cabeça para Istambul, onde mora a minha mulher Tugba”.

Está na Turquia há quatro anos. Descreve a experência como a “mais marcante da minha vida e, por causa disso, não me arrependo de nada”, advoga Gilberto.

 

Um rapaz dos sete ofícios

O amor recebeu-o de braços abertos. O mercado de trabalho turco, nem tanto.
Gilberto não se acanhou, porque como já reza um popular ditado “quando não se abre uma porta, abre-se uma janela”.

O cenário ideal seria “trabalhar num escritório de arquitectura”. Concretizou o sonho mas “o salário não era nada de mais, a arquitectura que se produzia não era nada estimulante e saí porque senti que não estava a ganhar nada de positivo com a experiência”, explica Gilberto com amargura nas palavras.

Não desistiu, afinal o amor por Tugba era o alento suficiente para continuar. Arregaçou as mangas e resolveu pegar no lápis e no esquadro e criar alguns trabalhos para apresentação. Valeu-lhe várias “menções honrosas em concursos de arquitectura”, esclarece o português.

“A adaptação não foi fácil”, conta Gilberto.

Hoje em dia dedica-se de corpo e alma à ilustração infantil. “Criei um blog sobre isso e eu e a Tugba estamos neste momento a começar a vender algumas das minhas ilustrações, exalta.

Num estádio primário desenhou também “mobiliário infantil, fiz concursos de ilustração, de arquitectura e de design”, acabando por sair “da minha zona de conforto, fiz tudo o que ia aparecendo”, relata o arquitecto.

O português salienta ainda que Tugba, além de sua esposa acabou por se tornar sua parceira de trabalho e da vontade e perseverança dos dois nasceu “um projecto de interiores relativamente grande”, o qual duvida “que acontecesse em Portugal”.

 

Tão distante mas tão perto

Está longe, isso é certo, mas o seu coração continua a brotar na guelra a alma lusa.

De Portugal diz ter saudade “da família, amigos e comida. Em mais concreto, das esplanadas à beira-mar”, conta o português.

São as traduções/ explicações de português e as visitas ao Porto (terra natal), que matam as saudades de um país ao qual pretende regressar “num futuro a médio prazo”, defende.

Enquanto o regresso à terra natal não surge, Gilberto vai sendo feliz por Instambul. Numa “cidade gigante, cheia de gente e de trânsito”, como gosta da descrever.

 

Turquia vs Portugal

A Turquia peca pelo café, tanto que Gilberto cortou com o vício. “Não gosto do café aqui”, esclarece.

Já não come carne de porco, “a minha esposa não come por isso vingo-me nas férias”, conta o português.

De Portugal recorda as saídas e a vida social. Na Turquia, explica, “perco muito mais tempo no trânsito e por causa disso já não saio tanto à noite”.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Claro que sim! No início, enquanto não arranjava trabalho, pensava em abrir uma loja com produtos portugueses aqui e não me sentir tão longe da nossa cultura. Se sou um pouco provinciano? Talvez, mas luso com certeza.

 

Saiba Mais

gilbertomaia.blogspot.pt   maracujaproject.blogspot.pt

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