A minha melhor amiga foi viver para fora do país.

Foi assim que Joana Fontinha Lopes definiu a sua melhor amiga Inês Pimentel, a amiga que emigrou e que agora vive a milhares de quilómetros de distância. Inês deixou Portugal já lá vão três anos, uma decisão tomada por amor.

Tem um espírito puro, sempre positivo, de bem com a vida, pronta a lutar pelas coisas e ir atrás dos seus sonhos. Dela, retiro o lado bom de tudo. Lutadora. Ela vai atrás do que quer e não fica a lamentar-se com a vida que tem. Quando visualiza algo vai atrás e quando vai tem de ser perfeito. Perfecionista. É simplesmente ‘a minha pessoa’. Alma gémea, melhor amiga, irmã, o que quisermos chamar. É a verdadeira definição de amiga.

Portugal, Austrália, Singapura, Inglaterra e Emirados Árabes Unidos, Inês já viveu em todos estes países. Considera-se uma cidadã do mundo e acredita que ainda há muito para conhecer. 25 de Abril, dia da revolução, da liberdade, dia em que Inês mudou de vida, o dia em que emigrou.

 

Austrália e Maldivas

Quando terminou a Universidade, surgiu a oportunidade de viajar para a Austrália, durante quatro meses, Inês trabalhou numa quinta da produção de plantas no meio da natureza, na Tasmânia, a par disso, tinha como principal objetivo melhorar o inglês. Também viajou pela Malásia e chegou a viver com uma família nas Maldivas “tinha que tomar banho na praia vestida e comer caril três vezes ao dia! Sim, ao pequeno-almoço também”, conta.

Regressou a Portugal e começou a trabalhar na sua área de formação, marketing e comunicação, nas indústrias de turismo e bem-estar. Depois conheceu o Daniel, hoje seu marido, e tudo mudou, “o Daniel apareceu na minha vida e nunca mais parei! Acho que o meu destino sempre foi explorar o mundo”.

 

Emigrar de vez

A mais de 11 mil quilómetros de distância de casa, mudar-se era a única forma de não continuar num namoro à distância. No dia 25 de Abril de 2013, Inês saiu de Portugal por amor, “não saí por trabalho, mas sim por amor. O meu marido (na altura ainda namorado) já vivia fora de Portugal há alguns anos e decidimos que estava na altura de vivermos juntos. Disse aos meus pais que ia para fora do país em Janeiro e três meses depois parti. Lembro-me de ter todas as minhas amigas a chorar no aeroporto na despedida! A mudança foi bastante natural para mim, acho que foi das decisões mais fáceis e certas da minha vida”.

 

Singapura

Viver em Singapura foi para Inês uma das etapas mais felizes da sua vida, a adaptação foi muito natural e fácil, a multiculturalidade que existe na cidade ajudou “adorava perder-me pelos diferentes bairros. Lembro-me de ficar horas num templo budista a conversar com um monge que no final me levou a beber um sumo de Goiaba verde, a minha fruta preferida na Ásia. Tudo era diferente, as pessoas, o clima, a comida e eu estava fascinada a conhecer tudo.”

 

Londres

A vida em Londres era bem diferente do que em Singapura, a adaptação não foi tão fácil, o tempo cinzento e a solidão foram as principais dificuldades “a principal dificuldade foi sentir-me muito sozinha, principalmente nos primeiros meses em Londres. Toda a vida vivi numa casa cheia de gente! Mas com o passar dos tempos fui fazendo amigos e adaptando-me à minha nova vida.” Durante um ano e meio em Inglaterra, Inês aproveitou para estudar, tirou um curso de Business English e nos primeiros meses em Londres rapidamente conseguiu um emprego, tendo sido contratada logo após a primeira entrevista.

 

Emirados Árabes Unidos

“Um país em que tudo tem a magia especial das mil e uma noites. Os dias são bonitos, mas as noites são misteriosas, encantadas. O quente do deserto mistura-se com os rezas que se ouvem no horizonte a cada momento. Ao mesmo tempo que é uma cultura maioritariamente Árabe, cruzamo-nos com pessoas de todos os cantos do mundo. O tradicional mistura-se com o moderno e o futurismo. Uma cidade onde parece que os prédios não acabam e de repente tudo o que vemos no horizonte é um deserto sem fim e um sol laranja que nos encadeia a vista.”

A viver no Dubai há pouco mais de um ano, surpreendeu-a o sentimento comunitário que existe, “há pessoas de todo o mundo a trabalhar aqui e todos se ajudam e apoiam”, por outro lado, teve de haver uma adaptação por ser uma cultura tão diferente.

O Dubai é a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos, localizado no sudeste da costa do Golfo Pérsico e é a capital do Emirado de Dubai, um dos sete emirados que compõem o país. É uma cidade global onde se cruzam diversas culturas e onde vive gente de todo o mundo. Em 2009, eram mais de cinco mil portugueses a viver nesta cidade.

“A comunidade onde estou integrada é feita de milhares de culturas diferentes, os melhores episódios envolvem o sentimento de comunidade e entre ajuda que existe entre as pessoas, por exemplo ir carregada de compras para casa e ter várias pessoas a perguntarem-me se quero ajuda. Já cheguei a ter pessoas que me levaram as compras do supermercado até casa em troca de nada.”

 

Viver num país com uma cultura tão diferente

“Quando cheguei ao Dubai pela primeira vez, ir cumprimentar um homem numa situação profissional com um aperto de mão e ele recusar-se devido à religião, não poder tocar numa mulher. Hoje em dia espero que me estendam a mão quando conheço alguém.”

 

Curiosidades culturais

  • “O fim de semana é sexta e sábado, ao Domingo já trabalhamos o que foi um bocadinho estranho até me adaptar.”
  • “Durante o Ramadão que dura 1 mês não podemos comer ou beber na rua. Às vezes estão quase 50 graus e tenho que me esconder para beber água! Mas respeito totalmente esta cultura e o Ramadão é das minhas alturas preferidas pois é um mês super espiritual e de convívio entre as pessoas.”
  • “A alimentação é muito à base de vegetal, o que adoro pois sou vegetariana! Há milhares de saladas e pratos vegetarianos. Aqui ninguém come porco devido à religião, se alguém quiser comprar porco tem que ir a uma área reservada no supermercado que está separada de tudo o resto.”

 

A realização profissional

Emigrar foi o que permitiu a Inês realizar-se profissionalmente, “abriu-me os horizontes para sonhar e ir mais longe”. Inês trabalha na área de saúde e bem-estar, viver fora tem lhe dado a oportunidade de conhecer, estudar e trabalhar com pessoas reconhecidas da indústria em todo o mundo e ainda estudar numa das escolas de Nutrição mais reconhecidas do mundo em Nova York, o Institute for Integrative Nutrition. Viver no Dubai, trouxe a Inês a concretização de mais um objetivo, ser professora de Yoga “tive a oportunidade de aprender e estudar yoga e meditação com professores da Índia onde toda esta prática nasceu há mais de 5.000 anos atrás, bebi todo o seu conhecimento e certifiquei-me também como professora de yoga”.

Atualmente, Inês dá consultas individuais e desenvolve programas, workshops, cursos de saúde, nutrição e yoga onde acompanha pessoas em todo o mundo a atingirem os seus objectivos de saúde e viverem uma vida mais feliz, saudável e equilibrada. Levar todo o seu conhecimento para Portugal num projeto que una o bem estar físico ao bem estar mental e espiritual é um dos objetivos.

 

Portugal e as saudades

Família e amigos é de quem sente saudades, Inês adora Portugal e regressar é algo que quer muito: “sempre fui apaixonada pelo meu país mas ao mesmo tempo sabia que o mundo era demasiado fascinante para não o explorar. Quando volto a Lisboa parece-me tudo muito pequenino, aquela imagem de quando se está numa aldeia. Aquela cidade que me era tudo, agora torna-se tão pequena nos meus horizontes. Mas é um pedacinho do mundo muito especial e único para mim, sem dúvida das cidades mais bonitas do mundo. E adoro ver que cada vez que regresso a cidade está a crescer e a evoluir. E, sem dúvida, que um dia vou querer regressar e quem sabe assentar de uma vez por todas. Tenho um grande amor ao meu país e um grande orgulho de ser portuguesa!”

 

O outro lado da emigração – Quem fica

Luísa Nunes, mãe

“O dia em que a Inês emigrou foi o dia 25 de abril que sendo um dia feriado acabou por ser um dia diferente. Fui juntamente com o pai da Inês e algumas das suas amigas até ao aeroporto. Vive-se bem com a saudade quando, apesar da distância, há contactos e um sentimento muito forte que nos une. Hoje em dia, as redes sociais permitem que estejamos sempre em contacto. Sigo a Inês através do facebook, instagram, snapchat, skype… Mesmo que não fale com ela, basta ver uma foto ou um comentário seu para ficar contente. Aprende-se a viver com a distância e os reencontros são sempre vividos com muita intensidade.”

 

O regresso

“Tenho a certeza que sim, porque a Inês ama o país, a família, os amigos e tudo fará para regressar um dia. E mesmo que isso demore a acontecer, a Inês, tal como a maioria dos portugueses, terá sempre Portugal no coração.”

 

Joana Fontinha Lopes, amiga

“Lembro-me que fizemos inúmeras festas e encontros de despedida. Lembro-me de, juntamente com outras amigas, termos ido de surpresa ao aeroporto para nos despedirmos dela e que chorámos o tempo todo. Foi muito difícil vê-la passar para lá das barreiras no aeroporto, sabendo que ali, naquele momento, estava a começar uma nova vida/ realidade. A de: a minha melhor amiga foi viver para fora do país.”

 

Muitas saudades

“Há dias verdadeiramente difíceis, em que só me apetecia meter no carro e ir ter a casa dela. Mas a verdade é que estamos sempre juntas! Falamos praticamente todos os dias, partilhamos as coisas do dia a dia e as decisões importantes. Não há nada que façamos e não partilhemos uma com a outra! As redes sociais, e sobretudo o WhatsApp e o Skype, são fundamentais. Não consigo sequer imaginar como seria sem estas ferramentas que encurtam tanto a distância. Eu e a Inês costumamos dizer que não há km que nos afaste e tem sido essa a realidade. A distância física torna-se muito curta perante a ligação tão grande que temos. Ela é simplesmente a melhor pessoa que já conheci.”

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Sem dúvida, que um dia vou querer regressar e quem sabe assentar de uma vez por todas. Tenho um grande amor ao meu país e um grande orgulho de ser portuguesa.

Saiba Mais

facebook.com/benaturalwithines

 

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Mara Alves
É a fundadora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

1 COMENTÁRIO

  1. Gostei muito desta história. A Inês tem a verdadeira alma lusa, lutadora. Parabéns ao coração luso por nos trazer estas histórias.

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