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Ir de Inglaterra a Portugal de carro

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Ir de Inglaterra a Portugal de carro

Quem é emigrante sabe o que é ir a Portugal e não poder trazer tudo aquilo que desejaria. No avião as malas vêm sempre a arrebentar pelas costuras, mas fica sempre alguma coisa. Quem não se recorda tantas vezes do que lá deixou: os livros, os álbuns de fotografias, os chouriços, o vinho, aquele serviço de chá que era da avó, são tantas e tantas as coisas. A única solução, só mesmo ir de carro!

Para quem vive na Europa, ir a Portugal de carro é à partida fácil. Contudo, para quem vive numa ilha, como é o caso de Inglaterra, o trajeto tem algumas especificidades que importam relatar, não é só pegar no carro e ir.

Temos uma fronteira que nos separa do resto da Europa (sim, ainda somos Europa) o conhecido Canal da Mancha, uma manga do oceano Atlântico que separa o Reino Unido do Norte de França. A viagem é longa e cansativa. São muitas as horas atrás do volante e não fica nada barato ou, pelo menos, em comparação a ir de avião. Mas, se são aventureiros e gostam de conhecer outras paragens vamos embora!

 

Farnel pronto, carro ligado, hora de arrancar

Como qualquer português e emigrante que se preze, o estômago tem de estar bem aconchegado para uma aventura destas. E, assim de modo a poupar mais uns trocos, nada melhor que preparar um pequeno farnel para a viagem. E, foi isso mesmo que eu fiz, um cestinho com sandes, rissois, fruta, bolachas, água e algumas barras energéticas e, assim, evitei comer em estações de serviço e provavelmente pior. Saí de Manchester numa 5f à noite, tinha o barco (ferry) marcado nessa madrugada em Dover. Poucos quilómetros antes, começam-se a avistar as placas a indicar o Porto de Dover, está tudo bem sinalizado, não há como enganar. Já em Dover, é importante ter à mão os documentos de identificação e a reserva do ferry. Existem dois controlos de passaporte ou cartão de cidadão, no segundo controlo confirmam o bilhete e é indicada a fila onde nos devemos posicionar, depois é só aguardar o sinal para entrarmos de carro no ferry.

 

O ferry é muito confortável. Lá dentro, há restaurantes, zonas de lazer e até uma loja onde aproveitei para comprar o colete, balões de alcoolemia e o kit de luzes suplentes obrigatórios para conduzir em França (no interior do ferry poderá ver essa informação fixada nas paredes). A travessia é feita em 1h30. Chegada a Calais é só seguir viagem.

Escolher o circuito

Como se trata de uma viagem longa e por caminhos desconhecidos é recomendável o uso do GPS, aplicações como o Google maps ou Waze, por exemplo. O circuito que fiz foi pela A22 passando por diversas cidades incluíndo Paris. O trânsito é caótico, muitos camiões, toda a atenção é essencial.

 

Portagens caras

Há que realçar que as portagens em França são bastante caras e, se em Portugal achamos que estamos sempre a pagar portagem, em França ainda mais. No entanto, no que toca a zonas de descanso e estações de serviço, existe uma vasta oferta, pagamos mas somos bem servidos. As áreas de serviço normalmente têm restaurante e pequenas zonas de descanso, mas depois existem mesmo as zonas de descanso e ai, os espaços são bem tratados, com mesas, casas de banho e duche, parque para crianças e devo dizer que em todas as que parei, estavam limpas e bem cuidadas.

O descanso

24h a conduzir, com algumas paragens de 10 e 15 min, finalmente a noite de descanso. Escolhi parar em San Sebastian no País Basco (Espanha) primeiro porque foi até onde aguentei conduzir, praticamente, sem parar e segundo devido à localização, pois já estamos a mais de metade do caminho. Além disso, San Sebastian é um lugar muito agradável, com gente muito simpática, na pensão onde fiquei tive a sorte de um dos recepcionistas falar português, o que faz logo uma pessoa sentir-se em casa.

A reserva da pensão fiz quando já tinha noção que queria parar para descansar e através do Hotels.com que apresenta quase sempre ofertas de última hora a preços convidativos.

Nessa pausa para descansar, aproveitei para conhecer um pouco de San Sebastian e a sua gastronomia, fui a um restaurante típico maravilhoso, onde comi uns pimentos recheados com tinta de choco, uma delícia!

No dia a seguir, acordei cedo com o objetivo de parar só em Portugal e, assim foi, conduzir sem parar, e ao final do dia já estava atravessar a fronteira em Vilar Formoso, finalmente Portugal!


Dicas importantíssimas:

  1. Fazer uma revisão ao carro para ter a certeza que viajará em segurança
  2. Marcar o Ferry (se quer poupar algum dinheiro, vá pesquisando preços com dois ou três meses de antecedência, pois os preços variam consoante a época do ano).
  3. A travessia também pode ser feita de comboio, através do Eurotunel (porto de Dover).

Alguns portos onde pode fazer a travessia

via França

Dover (Sul de Inglaterra)– Calais (Norte de França)

Folkestone (Sul de Inglaterra)- Calais (Norte de França)

Newhaven (Sul de Inglaterra) – Dieppe (Norte de França)

via Espanha

Portsmouth (Sul de Inglaterra) – Santander (Norte de Espanha)

Plymouth (Sul de Inglaterra) – Bilbao (Norte de Espanha)

Se escolher esta via, importa dizer que a travessia de ferry é mais longa (mais de 24h) mas com o conforto de ter uma cabine para descansar, poupando a viagem por França. Contudo, o bilhete deste ferry poderá ser duas ou três vezes mais.


Links para marcar o Ferry

 

directferries.co.uk

aferry.co.uk

brittany-ferries.co.uk


Onde comer, onde dormir

 

Pensão em San Sebastian

Pension Txingurri

Restaurante típico

Kako


Vilar Formoso e as portagens electrónicas

Ao chegar a Vilar Formoso, siga a sinalização “carros estrangeiros” para ativar no seu cartão de multibanco, o pré-pagamento das portagens electrónicas (Scuts). Assim, sempre que passa por uma Scut desconta automaticamente no seu cartão. Atenção que via verde é outra coisa, por isso terá sempre de passar pelas portagens normais e pagar.


Curiosidades

Passageiros a pé também podem atravessar a fronteira no ferry.

Animais só podem viajar nos carros e devidamente vacinados e com o passaporte em dia.


Esta viagem em números

Distância: 2180 km

Horas de viagem: 42h

Numero de paragens: 1 noite

Estas dicas têm como referência uma viagem feita de Manchester (Noroeste de Inglaterra) a Portugal.

 

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É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

10 COMENTÁRIOS

  1. Ola boa noite penso embarcar nesta aventura em dezembro haverá por aqui alguém que me saiba mais ou menos dar valores exatos entre ir e vir com portagens etc desde já obrigada

  2. Olá Mara !
    Gostei muito do seu post !
    Sempre é bom ouvirmos outras experiências.
    Estamos programando nossa ida a Portugal para a próxima semana , somos 4 incluindo 2 crianças, o objetivo é viver as férias ,passar por algumas praia em França e tbm em Espanha,mas sem gastar em excesso.
    Foi bom saber q as zonas de descanso são apropriadas , ainda ocorreu-me uma dúvida, asportagens em França são as que pagamos no momento? Já em Portugal qdo registrarmos o cartão para descontar automaticamente vale para todas as portagens ? Pq li em um outro post que há mtos dos que estão as “escondidas” portanto a dúvida é se as portagens que passo onde há pessoas ou máquinas a trabalhar tenho sempre q pagar no momento ou tbm é descontado automático? Já sei que não é pela via verde , portanto , tenho esta dúvida.
    Acho sim que será uma ótima viagem, mas confesso estar assustada com às portagens tão caras…vamos andar mais dentro de cada país , certamente pagaremos mais .
    Obrigada.

    • Olá Lisiana, obrigado pelo seu comentário. Em relação ao que pergunta, no caso de França paga na hora, pelo menos pelo trajeto que fiz foi assim. Quanto a PT , depois de registar o cartão na fronteira, sempre que passa com o seu carro nas portagens automáticas (SCUTS) desconta, nos outros casos paga normalmente. Tenho a certeza que vai apreciar a viagem, França tem locais muito bonitos, também fiz algum percurso fora as auto-estradas e vale a pena fazer esse desvio se for com tempo. Uma óptima viagem. Cumprimentos.

      • Olá Mara, muito obrigado pelo teu post de certeza que irá ajudar-me e muito porque eu irei fazer o mesmo ja este mês de Julho mas, estou a pensar em fazer apenas estradas nacionais com vista a evitar as altas tarifas nas auto-estradas bem como tirar maior proveito da viajem.
        Obrigada
        Idalecio Barros da Silva

  3. Obrigado pelos vossos enriquecedores comentários. Tal como escrevi no texto, está foi a minha experiência, cada um terá a sua! É uma viagem cara. Luís, apenas conduziu uma pessoa. Fora os custos eu pessoalmente gostei, mas provavelmente não a repetirei. Abracos.

  4. Muito cool… mas Mara, quantas pessoas conduziram? e custos (portagens e ferries, já que o combustível vai depender do andamento e tipo de carro de cada um).
    No meu caso, com miúdos (‘especiais’) e com 3000 kms será ainda mais complicado, mas é um programa que um dia pretendemos fazer, pois, à parte da chatice para os miúdos, é sem dúvida uma experiência únida (mais não seja para depois dizer …. ‘carro até à Tugalândia, com miúdos… nunca mais’) 😛 😉
    Bjñs

    • Boa tarde, mais uma vez este ano também fui de carro e também fui de barco pois o comboio apesar de ser mais rápido também fica mais caro, mas eu viajo com miudos e sou só eu a conduzir. As portagens em França é uma roubalheira pegada ir e vir paguei €155 o ferry ir e vir pela P&O Ferries foram 187£ . Dois adultos e duas crianças. Já no que toca ao combustível eu tenho um carro a gasóleo mas o combustível em França é carissimo, em Espanha não tanto.( Ir e vir a rondar os 400€) Não foi a primeira vez que fiz a viagem mas tenho a impressão que será a ultima, pois eu levo 3 dias e duas noites, o que começa a ficar muito caro, e se formos de avião em 2 horas e meia estamos em Portugal. Espero que o Luis Pedro tenha ficado mais esclarecido.

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