Isabel Mateus tem 47 anos e saiu de Portugal em 2001. Em Portugal foi professora do ensino secundário. Agora em Inglaterra, país que escolheu para viver, dedica-se à escrita mas também deu aulas de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa.

 

Confessa que não vai voltar a Portugal tão cedo, quer dar continuidade à Educação dos filhos no Reino Unido, mas como qualquer português pensa um dia mais tarde num regresso.

 

Sair de Portugal

Isabel Mateus saiu de Portugal em 2001, saiu por motivos familiares. O marido optou por um futuro mais seguro e promissor e junto com ele, Isabel e os filhos embarcaram nesta aventura.

Para trás ficou a família e amigos “Neste caso, tornava-se essencial que a família nuclear se reunisse de novo.”

A viver uma nova vida fora de Portugal, houve uma outra realidade com que se deparou e nos primeiros tempos teve algumas dificuldades. O principal obstáculo foi a língua “Tentei aperfeiçoar o meu nível de inglês ao frequentar alguns cursos. Contudo, para o meu filho foi mais difícil, porque com cinco anos ingressou de imediato no Ensino Primário.”.

Apesar de ter que se adaptar a uma nova vida, considera-se uma privilegiada, pois quando chegou ao seu novo país já tinha casa e escola para o filho. Afirma ainda que foi muito bem recebida pela universidade que a acolheu.

 

Integração na comunidade

No início do seu novo percurso não teve uma grande ligação com portugueses. Integrou-se na comunidade inglesa essencialmente por causa da escola do filho e do local de trabalho. Apenas na altura em que começou a aprofundar o tema da emigração no Reino Unido na sua escrita é que se foi dando conta da existência de uma “emigração tradicional”.

Com a recente chegada de muitos portugueses e Stoke-on-Trent ligados à área da saúde é que se tem aproximado dos seus compatriotas.

 

Da realidade para o papel

Isabel é escritora de profissão e desde sempre que sentiu uma grande paixão pela escrita. Dedicou-se desde cedo à literatura.

Inspira-se no meio rural transmontano e português mas também em algumas das influências que Inglaterra lhe deu.

Ema alguns dos seus livros aborda a temática da emigração, não só por ser agora emigrante no Reino Unido mas também porque é filha de pais emigrantes. Este facto explica a ordem dos seus livros, começando primeiro por escrever sobre a emigração portuguesa na França dos anos 60/70 e só depois sobre os tempos que se vivem atualmente.

Para reforçar a ideia, Isabel completa com um excerto de uma dos seus livros “Chegaram primeiro aqueles com pouca formação profissio­nal e sem qualificações académicas. Reforçaram a sua presença na «Terra da Rainha» os jovens portugueses qualificados em levas sucessivas de 1990, 2000, 2010…”

A tentar a sorte num país diferente, e a dedicar-se ao que a faz feliz, sente que talvez o facto de ter emigrado lhe tenha aberto algumas portas no que diz respeito à escrita “Pelo menos tenho à partida uma possibilidade de internacionalização maior. Também me sinto até certo ponto como uma mediadora entre Portugal e as diferentes comunidades de expressão da diáspora na Europa e no mundo.”

A caminhar para o futuro, Isabel Mateus vai continuar a dedicar-se à escrita “Acabou de sair a minha terceira novela. Tenho alguns projetos em mãos, mas o desafio seguinte trata-se da escrita de um livro infantojuvenil acerca de mais um dos animais ameaçados de extinção: a baleia azul.”

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Eu sou portuguesa, por isso, para mim, não faria sentido que o meu coração não fosse luso. Contudo, é através da alteridade do Outro que regresso a mim para me conhecer melhor. Afinal, é como se tal como o escritor-viajante Miguel Torga empregasse sempre o método de prospeção, tentando perscrutar e entender a realidade estranha que me rodeia para chegar mais perto de mim.

 

Saiba Mais

facebook.com/IsabelMariaFidalgoMateus

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