Luís Costa Ribas tem mais de 30 anos de carreira como jornalista e repórter. Passou 22 anos da sua carreira nos EUA, onde foi correspondente de alguns órgãos de Comunicação Social, sendo a SIC  aquele que mais visibilidade lhe deu. Luís Costa Ribas, habituou-nos a vê-lo em cenários de guerra, catástrofes naturais, e em coberturas relacionadas com a Casa Branca. Teve um breve regresso a Portugal por um período de 4 anos, no entanto, as ligações familiares que construiu no EUA  levaram-no a um regresso. Nesta entrevista, o jornalista fala-nos da sua ida para os EUA, da sua carreira e dos seus projetos.

 

Alguma vez pensou que iria viver fora de Portugal?

Não, nunca pensei nisso até quase ao momento de o fazer

 

Como se processou a sua saída de Portugal?

Em 1983, um pouco como hoje, Portugal vivia tempos difíceis e, embora tivesse emprego na Rádio Renascença e fizéssemos uma informação interessante, a emissora investia pouco na informação. A uma dada altura quis ver mais Mundo e alargar horizontes. Era correspondente da emissora americana VOA em Lisboa e pedi-lhes transferência para Washington, o que veio a acontecer a 30 de Março de 1984

 

Neste tempo a viver fora do país que projetos conseguiu desenvolver que se fosse em Portugal não seriam possível?

O jornalismo americano era muito mais aberto e arrojado do que o português o qual, depois de um período de grande crescimento, está a piorar substancialmente… O facto de viver imerso na sociedade americana – numa grande potência com interesses globais – levou-me a olhar com interesse para todo o Mundo e a estudá-lo, não confinando as minhas energias aquelas questões mais paroquiais que tendem a dominar o quotidiano de um país pequeno e conservador. Fui correspondente da SIC, TSF,  LUSA, Público, O Jornal (mais tarde Revista Visão), O Independente e Renascença. E nessa caminhada fui-me reinventando como correspondente. Em 1984 não havia qualquer presença de órgãos de informação portugueses na capital federal americana – era preciso fazer notícias. Mais tarde, a globalização da CNN levou notícias da América, instantaneamente, a todo o Mundo – passou a ser preciso explicá-las e para isso era preciso estudar e compreender em o país.  Por força da CNN passou a ser urgente ter diretos em todo o lado – e isso dominou muito a segunda metade dos meus anos profissionais nos Estados Unidos em que acabei por ser um analista e  tradutor da realidade americana para o público português. Essas mutações profissionais e as exigências de crescimento que impõem, nunca teriam sido possíveis em Portugal.

 

E o que ainda gostaria de realizar?

Ir aos polos da Terra, viajar e fazer uma reportagem no espaço, viver clandestinamente entre um grupo de extremistas muçulmanos, fazer a reportagem do desmoronamento da Coreia do Norte… Tanta coisa…

 

Que tipo de emigrante se define?

50% português, 50% americano

 

Em termos sociais como é a sua vida? Existem muitos portugueses?

Não me dou muito com a comunidade portuguesa, porque esta vive muito fechada sobre si própria. Fui para os Estados Unidos viver a experiência americana.

 

Quer destacar-nos alguma curiosidade em termos culturais ou sociais desse país onde se encontra?

Não se chega atrasado ao trabalho; chegar 10 minutos depois da hora é estar “muito atrasado”. Na fila do supermercado, ou qualquer outra, não se chegue demasiado perto da pessoa à frente; é considerado falta de respeito.

 

Neste período de tempo que já está fora,  do que sente mais falta de Portugal?

Família, amigos e comida.

 

Se pudesse escolher, trabalharia em Portugal?

Teria que pensar muito bem…

 

Se pudesse levar alguma coisa de Portugal para o país onde vive e vice-versa, o que seria?

De Portugal para os Estados Unidos, a nossa comida e a vivência com os amigos. Dos Estados Unidos para Portugal, a pontualidade e a eficácia.

 

Que ambições tem, pretende regressar em Portugal?

Não sei. Eu não tenho caminhos rígidos; prefiro avaliar as oportunidades uma a uma. Agora, por exemplo, tenho um projecto profissional em África, onde passo mais tempo do que nos Estados Unidos.

 

Se lhe pedisse uma frase para definir esta sua experiência, qual seria?

Amazing!

 

Que tipo de português se define?

Não sei. Não costumo pensar nisso.

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