Manuel Barbosa tem 31 anos e saiu de Portugal em Fevereiro de 2015. Agora em Madrid, trabalha na empresa onde estagiou durante o período em que fez Erasmus. A oportunidade surgiu e não hesitou em aceitar.

 

Para trás ficaram a família e os amigos, no entanto o trabalho falou mais alto e hoje sente-se feliz naquele que é o seu novo país.

 

Emigrar porquê?

Para muitos emigrar não está nos planos, e esse foi o caso de Manuel, nunca pensou em sair de Portugal, mas uma oportunidade de vingar no trabalho fez com que ponderasse essa hipótese.

A viver em Madrid há cerca de um ano Manuel sente que fez a escolha certa, é feliz e já realizou muitas das coisas que sempre sonhou em fazer.

Um novo ambiente, uma nova cidade, uma nova cultura, uma aventura pela qual nunca esperou. Adaptou-se bem “Adaptei-me facilmente porque rapidamente fiz amigos e conheci a cidade. Com a língua também não foi complicado, como já falava bem não foi difícil.”. A parte mais complicada terá mesmo sido mudar o ritmo de vida, gerir e manter uma casa.

Depois de se atirar de cabeça nesta aventura, diz ser uma pessoa diferente. Aprendeu a estar sozinho, a ser mais independente, a ter confiança de que as distâncias são muitas vezes uma fronteira mas também uma fonte de aprendizagem.

 

O dia-a-dia

Em Espanha, Manuel acorda perto das sete da manhã, sai de casa perto das oito e um quarto e entra ao trabalho às dez. Assim que chega começa por ler e responder a e-mails urgentes. Da parte da manhã costuma planificar o seu dia ou a semana mediante as necessidades. Desempenha funções como pedir horas com locutores, salas para realizadores, perceber as matérias que estão em falta. Sai para almoçar perto da uma da tarde e regressa ao trabalho por volta das três. O regresso é sempre acompanhado de uma reunião com o departamento de produção e realização, onde é feito o visionamento do trabalho feito pelos realizadores, e são dadas algumas sugestões para que o trabalho possa ser melhorado.

Sai do trabalho por volta das sete e por norma segue para o ginásio, mas como sabe bem fugir à rotina, por vezes segue o caminho oposto e desfruta de um final de tarde com os amigos acompanhado de tapas e cañas.

 

Valorização no trabalho

Um regresso a Portugal não está de todo nos planos de Manuel, sente que não existe lugar para ele “Enquanto continuarmos a não valorizar o país, a cultura e as pessoas que trabalham não me sinto valorizado. Estes últimos anos foram sufocantes para qualquer português, sinto que não nos podem pedir sacrifícios desta maneira!”.

A trabalhar em Madrid sente uma valorização constante por parte dos colegas em relação ao seu trabalho, um conforto pessoal que em Portugal não sentia.

Uma grande mudança de vida também já lhe trouxe grandes oportunidades, desde que saiu de Portugal já teve a hipótese de viajar mais assim como começar a praticar desporto e a ter mais tempo livre.

 

A distância

Considera-se um emigrante bastante comunicativo, o que facilita a interação com as outras pessoas, mas no entanto sente saudades de Portugal, da família e dos amigos. Vai matando as saudades através das novas tecnologias, das redes sociais e dos telefones, a saudade está a distância de um simples “click”.

Apesar de gostar da sua nova vida e da cidade que o acolheu, gostava de levar consigo as praias e os rios portugueses que tanto admira.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Sempre! É o que nos define desde o início da nossa história, porque ser lusitano é algo que muitos desconhecem mas que nós portugueses temos marcado sempre nas nossas vidas.

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Vanessa Saudades
Natural da vila de Cabeço de Vide, situada no Alto Alentejo. É licenciada em Jornalismo e Comunicação pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Portalegre. É jornalista no Coração Luso.

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