Os estudos e a vontade de melhorar a língua alemã levaram Manuela Cunha até Viena de Áustria. A cidade encantou-a. Hoje, trabalha na Austrian Airlines como hospedeira de terra. Uma profissão que se cruzou com outra das suas paixões, «o sonho de viajar e de me aventurar pelo mundo fora». Os estudos ficaram um pouco de parte e o gosto por viajar ganhou novo impulso. Viajou pelo mundo fora quase todos os meses.

 

Manuela Cunha, 33 anos, sempre teve curiosidade em viajar e conhecer outros países e a vontade de experimentar viver noutro país sempre se manifestou. «Fui primeiro para Viena pelo programa Erasmus [programa de apoio interuniversitário de mobilidade de estudantes e docentes do Ensino Superior entre estados-membro da União Europeia e estados associados, que permite aos alunos estudar noutro país entre três e 12 meses], passar um semestre no curso de Geologia em 1999», conta Manuela.

A motivação era aprender a língua alemã e «partir à aventura de viver num país estrangeiro». Isso era mais do que um sonho. Era um objetivo há muito traçado. A Áustria era um país que parecia «simpático» para Manuela Cunha. Concorreu e foi aceite. «Apaixonei-me pela cidade e não só. Continuei a voltar nos verões, para melhorar o alemão e dar alento à paixão.»

Mais tarde, em 2003, Manuela Cunha já havia desistido do curso de Geologia. Resolveu estudar arquitetura. «Numa das minhas voltas a Viena, apaixonei-me de novo e achei que era uma ótima ideia fazer o curso todo em Viena. Por acaso, gosto da maneira como funcionam as universidades. Consegui entrar no curso e fazer a transferência para a Universidade Técnica de Viena. Estudei dois anos enquanto ia fazendo trabalhos de estudante, muito precários, mas sempre ajudavam», relembra a portuguesa.

As principais dificuldades que Manuela encontrou quando chegou à Áustria foram as diferenças culturais e alguma dificuldade de socialização. «É mais fácil sentir-se só, e o apoio de alguém conhecido torna-se muito importante nas primeiras semanas.»

 

Uma história marcante

Num país distante, com outra língua, muitas são as situações que ocorrem, boas e más. Manuela Cunha destaca uma história que lhe ficou na memória e que recorda com carinho. «No comboio transmongolian a caminho de Ulanbatar, conheci um casal coreano. Como no fim da minha viagem ia passar por Seul, esse casal deu-me as chaves do seu apartamento lá, um telemóvel com todos os contactos dos seus amigos caso precisasse de ajuda e disseram-me para eu deixar as chaves debaixo do tapete quando partisse. Fiquei muito tocada pela sua confiança, pois não os conhecia de lado nenhum.»

«Felizmente há mais histórias boas do que más», diz Manuela Cunha. No entanto tem uma história que se revelou um tanto ou quanto estranha, nesses primeiros tempos em Viena. «A minha história “quase” menos boa foi quando ganhei quatro bilhetes para o concerto dos Rolling Stones em Viena, à última hora. Sobravam-me dois e por isso tentámos oferecê-los a alguém que estivesse a passar pela rua, mas ninguém os aceitava, talvez por medo. Até que um casal mais corajoso aceitou e foi ao concerto, mas sempre desconfiado.»

 

Portugal e as saudades

Manuela Cunha desloca-se a Portugal com alguma frequência, no entanto, continua  a sentir mais falta das pequenas coisas. «Tenho a sorte de, até à data, poder ir a Portugal frequentemente. Às vezes, sinto saudades de comer caracóis, de conversar sobre nada e tudo nos cafés, de telenovelas brasileiras, de filmes com legendas sem estarem dobrados e pequenas coisas do género.»

Em 2004, candidatou-se à Austrian Airlines como hospedeira de terra e foi aceite. Seis meses depois passou a efetiva. Nessa altura, Manuela Cunha trabalhava em part-time para lhe permitir também estudar. Manuela aproveitou para viajar. «Pouco depois, desisti do curso e investi nas viagens que fazia pelo mundo fora quase todos os meses. Viajei, viajei, viajei. Em 2008, conheci o Stefan e, em 2010, nasceu o meu filho Daniel em Viena. Gosto muito desta cidade.»

Garante que não saiu de Portugal por falta de um lugar para trabalhar, mas sim por curiosidade e vontade de conhecer outros países. Contudo, apesar de referir o gosto de trabalhar e viver na Áustria, confessa que, “às vezes, penso como poderia ser bom voltar».

 

Manuela Cunha é uma pessoa diferente

«Acredito que qualquer experiência seja uma oportunidade para crescer e, sim, a minha vida na Áustria permitiu-me ir realizando o sonho de viajar pelo mundo e cada viagem, cada volta é mais uma experiência vivida.»

 

Uma nova visão de Portugal

«Tenho um sentimento misto. Por vezes tenho vontade de voltar, pela família, pela natureza, pela música. Por outro lado não, pois sinto que estou bem onde estou.». Para lá, o regresso não faz parte dos planos. No entanto, «gosto do Alentejo, e se pudesse escolher só voltaria para lá», confessa Manuela.

 

Uma frase para definir esta experiência

«Mais uma volta, mais uma viagem.»

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Sou uma portuguesa como qualquer outra. Creio ser um coração do mundo.

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Mara Alves
É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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