Com a esperança de uma vida melhor e de um desenvolvimento a nível pessoal, Marina Amaral de 34 anos deixou Portugal, e há cerca de sete anos que vive na Escócia. Para trás deixou os pais e algumas amizades, mas não hesitou em viver esta aventura.

 

Trabalha como Assistente Social, e desde que mudou de país já conseguiu tirar o doutoramento e em breve vai tirar uma pós-graduação.

Na Escócia, Marina também encontrou o amor junto de um escocês com quem diz ter uma relação estável e com quem vai casar em junho de 2017.

 

Adeus Portugal

“Quando era mais nova tinha ideia de que Portugal seria “home” para o resto da minha vida. Pensei como seria bom ter uma vida tradicional, tirar o curso, casar, ter filhos…” Era assim que imaginava a sua vida até ao dia em que decidiu emigrar. Marina partiu para a aventura em busca de uma vida melhor, e escolheu a Escócia como destino.

O primeiro mês como emigrante não foi difícil, as saudades não eram muitas, tinha a sensação de que estava de férias. No entanto, no segundo mês deparou-se com um período mais complicado, durante algum tempo questionou a sua saída de Portugal, e teve ainda de lidar com a notícia do falecimento da avó pouco tempo depois de estar na Escócia.

Apesar dos primeiros meses não terem sido fáceis, adaptou-se bem ao país que escolheu para viver, a língua foi a maior dificuldade durante o primeiro ano.

 

Um trabalho compensador

Trabalha como Assistente Social numa Câmara Municipal. O seu trabalho é desenvolvido essencialmente junto dos idosos que precisam de apoio domiciliário, lares ou que se encontrem em risco por serem alvo de abusos físicos e sexuais e problemas financeiros.

Exercer a função fora do país de origem traz uma grande satisfação, garante a emigrante: “A satisfação que tenho aqui em exercer Serviço Social é cem vezes mais intensa do que em Portugal”. Marina sente que a sua profissão é bastante valorizada e que em Portugal isso nunca aconteceria. O salário também é fator a ter em conta, afirma que não existe comparação ao ordenado dos Assistentes Sociais em Portugal, o que faz com que não se arrependa da decisão que tomou à 7 anos atrás.

No que diz respeito aos estudos, desde que está na Escócia já tirou o Doutoramento, contudo vai continuar a investir nos estudos, tirando uma pós-graduação que será financiada pela Câmara Municipal para qual trabalha.

 

A vida na Escócia

Marina considera a Escócia a sua verdadeira casa, e por lá não tem muito contato com a comunidade portuguesa. A emigrante prefere estabelecer relações com a sociedade onde está inserida: “ Na minha opinião se quisermos ter sucesso numa nova sociedade temos que fazer um esforço para nos integrarmos na cultura local e estabelecer relações com as pessoas da terra.”

Num país que não é o seu, a emigrante tem uma vida bastante ativa. Durante a semana dedica-se ao trabalho, mas também existe tempo para praticar desporto, normalmente ao final do dia.

Costuma andar de bicicleta, fazer caminhadas, praticar escalada e frequenta aulas de pole fitness. Aos fins-de-semana, o ciclismo e o montanhismo são os desportos de eleição. Um dos seus objetivos é tornar-se na primeira portuguesa a fazer todos os picos altos da Escócia (munros).

 

Será que existe saudade?

Hoje o coração de Marina não tem espaço para Portugal. Deixou para trás o país que a viu nascer e crescer, e hoje voltar não é uma opção. Existe a saudade, mas nada que a faça repensar a sua decisão. Define Portugal como o país onde nasceu e onde moram os pais.

Apesar de se sentir em casa, não deixa de sentir saudades de algumas coisas bem portuguesas, como as bolas de Berlim, farinheiras, alheiras e queijos.

Para trás ficaram também a família e alguns amigos, mas nem isso a demoveu. As saudades matam-se através do Skype e do telefone, no entanto, quando está de férias Marina também visita a família em Portugal. Tem um irmão emigrado em Macau, e relembra com carinho a sua visita durante este ano “Foi um dos melhores momentos que tive aqui.”

Hoje, garante não querer abandonar o país que a acolheu “É onde me encontro feliz, onde tenho o meu companheiro, a minha casa, o meu trabalho, as minhas montanhas, onde a minha família pode vir e ficar quando quiser.”

 

Um Coração Luso pela metade

Não se sente portuguesa na sua totalidade, parte da sua vida está em Portugal, mas o seu coração está na Escócia “O meu coração é metade luso porque foi o país onde nasci e não tenciono rejeitar as minhas origens. Mas a outra metade é escocesa. A Escócia conquistou metade do meu coração!”.

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