O Japão era um sonho. Um dia, a determinação e a vontade de emigrar para esse país tão distante deu a Marta Pinto o passaporte para a concretização desse objetivo tão desejado.
Marta sempre teve o desejo de emigrar. Queria «explorar um outro país para além do meu, nomeadamente, o Japão. Tive essa ideia sempre presente ao longo da minha vida», refere.
Foi durante o período de faculdade que Marta começou a delinear os seus objectivos e emigrar para o Japão era o objetivo principal. Essa oportunidade não tardou.
Um golpe de sorte

Duas semanas depois, foi contactada para se ultimarem os preparativos para o estágio.
Uma vida perfeitamente normal
Enquanto esteve a viver e a trabalhar em Tóquio, Marta conseguiu manter uma vida normal, sentindo-se integrada na sociedade japonesa. «Não me senti como uma “gaijin”, como alguém que não pertencesse à sociedade japonesa. Muito pelo contrário, senti-me uma autêntica japonesa. A única característica que me diferenciava era mesmo a falta dos traços faciais orientais», refere.
A par disso, Marta ainda viajou para Osaka e Quioto e tinha tempo para conviver com colegas e amigos após o trabalho. «Tive a oportunidade de conhecer bastantes pessoas e fazer ótimas amizades. Consegui também participar em projetos muito interessantes, tais como concursos e projetos de execução de grande escala (algo que, presentemente, em Portugal e na minha área de trabalho seria impossível, devido à falta de trabalho e de clientes)», conta.
Uma história menos boa
Um dia, ao final da tarde, Marta foi ao supermercado e no regresso a casa viu duas crianças a brincarem na rua enquanto a sua mãe estava mais à frente com as compras. Marta foi surpreendida quando as crianças a olharam e depois fugiram parajunto da mãe a dizer «gaijin, gaijin!». Marta salienta que ainda há pessoas que fazem constantemente esta diferenciação entre japoneses e os designados “gaijin”, ou seja, estrangeiros. Diz Marta que, para muitos japoneses, esta palavra não tem um sentido simples e inofensivo como “estrangeiro”, mas uma conotação menos simpática; mas, para outros, é uma simples designação para alguém que não nasceu no Japão. Marta confessa que, pelo menos naquele momento, se sentiu desconfortável, mas foi também a única altura em que sentiu que vinha de outro país.
Uma história boa
O que mais marcou Marta Pinto no tempo que viveu em Tóquio foi ter conhecido muitos portugueses a viver em diversas partes do Japão, nomeadamente o Chef José Sousa Botelho, que vive em Osaka há cerca de 10 anos, pois foi o primeiro contacto que Marta teve antes e depois de chegar ao Japão: «foi a pessoa que me ajudou a adaptar à cultura e sociedade japonesas e foi uma das primeiras pessoas que me deu uma espécie de feedback daquilo que me esperava», conta.

Uma emigrante «determinada, assertiva, exigente e perfeccionista»

Portugal e as saudades
Aquilo que Marta mais sentiu falta de Portugal durante a sua experiência no Japão, para além dos familiares, amigos e namorado, foi «a serenidade e pacatez do […] país», salienta. No Japão, principalmente em Tóquio, é «tudo demasiado acelerado, muito movimento, muita confusão, muitas luzes e sons que se confundem e criam um ambiente repleto de misticismo», conta Marta.
Outra coisa de que Marta sentiu falta foram as colinas: «as vistas sobre a cidade a partir dos miradouros, a proximidade entre a natureza e o construído, as ruas estreitas e as escadarias ínfimas dos típicos bairros lisboetas, o passar numa rua com roupa acabada de lavar pendurada num estendal e o cheiro a sabão a invadir esse mesmo espaço. Algo de que não senti falta, curiosamente, foi a questão do “toque”, do aperto de mão e do abraço, algo que não existe no Japão pois funciona tudo à base de vénias. É uma questão de hábito», refere.
Não há lugar em Portugal
Neste momento, Marta está em Lisboa. Há cerca de cinco meses que procura uma oportunidade de trabalho e não está a conseguir. «Nomeadamente na minha área, infelizmente, sinto e vejo que não tenho lugar no meu país. Mas sei que o meu país terá sempre lugar na minha mente e no meu coração. Apesar de o meu sonho ter sido sempre trabalhar e viver no Japão, consideraria a hipótese de ficar em Portugal a trabalhar se houvesse condições para isso. Se houvesse mais oferta e condições de trabalho, essencialmente», admite Marta Pinto.
Mais do que tudo é um Coração Luso
Acho que sou mais um coração luso-nipónico, sem desvalorizar o meu país. Sou portuguesa de coração, mas um pouco japonesa de mente e penso que foi uma “mistura” de saberes, conhecimentos e experiências que me ajudou a formar enquanto pessoa.














