Mulheres guerreiras na emigração

Por: Susana Morais

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Quando emigrei ia com um trabalho certo, cheguei lá e afinal não tinha nada. Arremanguei as mangas e comecei a trabalhar nas limpezas. Deixei as limpezas quando encontrei um trabalho na pizza Hut no Luxemburgo , trabalhava imenso para compensar o facto de não saber falar a língua, fazia imensas horas extras e nas minhas folgas bastava ligaram-me que acabava por ir trabalhar também, gostavam de mim, em poucos meses eu, a portuguesa que mal falava, fui escolhida para ter um placar do meu tamanho com a minha imagem em todas as pizza hut do Luxemburgo.
Deixei esse trabalho por ter encontrado outro no lidl.
Como ainda não falava bem, continuava a dar o máximo no trabalho para que não tivessem razão de queixa.
Por dia fazia mais 6 horas extras, não parava durante o horário todo nem sequer para beber água.chegou ao ridículo de no meu horário colocarem menos uma pessoa para trabalhar por eu estar presente nesse turno.
A língua lá entrou, mas eu não sabia trabalhar de outra maneira senão dar o meu melhor, o meu trabalho foi reconhecido e em pouco tempo cheguei a chefe.
Engravidei, tive a Dalila, voltei ao trabalho, engravidei novamente, tive a Lorena e optei por ficar dois anos de licença de parto.
Quem sou agora? Não, não sou a que se aproveitou para ficar em casa sem fazer nada, sou a mesma lutadora, a mesma trabalhadora, simplesmente agora, escondida entre quatro paredes, entre fraldas, banhos, almoços, e cestos da roupa.
Nós não somos aquilo que está à vista, somos muito mais que isso.
Feliz dia da mulher!

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