Patrícia Marcelino, de 42 anos, nasceu em Lisboa, mas há cerca de dois anos partiu para Londres em busca de trabalho na área da comunicação.

 

Deixou para trás a família e amigos, levou consigo apenas a filha, em busca de uma experiência de trabalho internacional enquanto acabava a tese de Doutoramento. Assim que chegou ao seu destino, deixou para trás a tese e dedicou-se exclusivamente a dar apoio a uma comunidade portuguesa, dando aulas gratuitas de inglês, na biblioteca, e como voluntária no centro comunitário português.

Já passaram dois anos e Patrícia não pensa, para já, em regressar a Portugal. Quer continuar a desenvolver projetos de cariz social na comunidade onde trabalha.

 

Uma decisão de impulso

Decidir ficar a viver em Londres foi uma “decisão de impulso”. Patrícia nunca pensou viver noutro país, era mais um sonho do que um objetivo de vida. Abandonar o país de origem não foi de todo um processo doloroso, porque não tinha ideia de sair definitivamente do país.

A acomodação não foi complicada, não sentiu grandes dificuldades na adaptação à língua, sentiu apenas que tudo era diferente, pelo menos nãoera como imaginava. Hoje sente-se integrada e considera-se uma emigrante consciente e formada.

 

Um trabalho gratificante

Desde que está em Londres que desenvolve junto da comunidade portuguesa um trabalho social que, a seu ver, ajuda a motivar os outros para que possam crescer a nível pessoal e profissional. Patrícia trabalha diretamente com quem chega, essencialmente mulheres, a quem dá workshops para que estas se sintam mais confiantes na sua vivência na comunidade.

Ainda a nível social, desde 2014 que Patrícia apoia também os portugueses através de serviços numa instituição sem fins lucrativos de referência no apoio gratuito ao residente no Reino Unido, o CitizensAdvice Bureau. Aqui fez nascer o projeto “Ó Mãe, vou emigrar!!!” que visa ajudar os cidadãos que pretendem sair do país antes de abandonarem a sua “zona de conforto”.

Empenhada em enaltecer a cultura portuguesa e em dar a conhecer as tradições junto da população, já organizou várias atividades de cariz cultural. Um dos episódios de que se orgulha é ter estado por trás da primeira participação portuguesa no Lambeth Heritage Festival, que enobrece as etnias que vivem em Londres, e que nunca tinha contado com a participação da comunidade portuguesa. Neste festival, Portugal mostrou muito do que tem de bom, com uma exposição sobre a História do Fado, uma noite de Fados e uma prova de vinhos portugueses.

Patrícia define o seu trabalho como um “sentimento de missão cumprida”, dar uma simples aula de inglês ou apoiar o crescimento de um negócio eajudar a apontar o caminho certo é uma missão gratificante.

A portuguesa acredita que todo o trabalho que tem vindo a desenvolver em Londres nunca poderia ter sido feito em Portugal e acrescenta: “o trabalho voluntário tem um valor brutal em Inglaterra, o que não se verifica em Portugal.”

 

Projetos futuros

“O meu objetivo tem sido e vai continuar a ser ajudar a Comunidade Portuguesa, na medida do que me for possível”. É assim que Patrícia Marcelino descreve o seu futuro. Em Londres há dois anos, Patrícia quer garantir que continua a ajudar e a contribuir para o desenvolvimento e crescimento das indústrias nas diversas áreas do mercado externo que o Reino Unido apresenta. Pretende fazer a ligação entre empresas portuguesas e o mercado britânico, apoiando assim também o desenvolvimento do país que a viu nascer, ajudando a manter e a fazer nascer novos postos de trabalho.

 

A Saudade

Para já, Patrícia não acredita num regresso a Portugal, mas diz sentir saudades. Tal como o tempo, em Londres faz mais frio, até a nível de afetos. Sente falta do ambiente reconfortante das pessoas e das relações pessoais mais quentes. Por lá, não existe compaixão e as pessoas são demasiado indiferentes para com as outras. Já se sentiu sozinha em alguns momentos. Recorda com desânimo quando foi operada e quando caiu na rua e não houve ninguém que lhe estendesse a mão.

Mata as saudades da família e dos amigos através do Skype. “Não há nada como o Skype para nos ajudar a reduzir esses quilómetros que nos separam”, diz Patrícia, que tem a sorte de poder vir várias vezes a Portugal,o que faz com que a saudade nunca chegue a “doer” muito.

 

Alma Portuguesa

Defendendo com garra as potencialidades do seu país, Patrícia Marcelino define-se como um verdadeiro Coração Luso. “Nem todos temos, ou tivemos, as mesmas possibilidades para estudar e nos desenvolvermos como pessoas. Sinto que cabe a nós (esses privilegiados) fazer a nossa parte e retribuir, dando um pouco de nós a quem mais precisa. Penso que isso faz parte da alma Portuguesa. Somos Lusos, somos amigos e gostamos de ajudar o próximo”.

3 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde!!
    Gostaria de entrar em contacto com a Patrícia. Será possível fornecerem-me o e-mail ou um nº de telefone para a contactar?
    Muito Obrigada
    Susana Monteiro

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