Era apenas um jovem quando, aos 15 anos, Pedro Noel descobre aquela que se tornaria, não só uma profissão como uma das grandes paixões da sua vida: a fotografia. Desde novo rodeado por tudo o que diz respeito ao mundo fotográfico acabou por se tornar num dos grandes fotógrafos portugueses tendo já sido distinguido com diversos prémios, menções honrosas e nomeações para tantos outros prémios. Oriundo de Portimão onde nasceu, foi na cidade de Lagos, situada no Barlavento Algarvio (Distrito de Faro), que Pedro, atualmente com 41 anos cultivou as suas raízes, residindo ainda nesta cidade que o viu crescer e se tornou palco daquela que viria a ser a primeira fotografia tirada pelo então fotojornalista.

O despertar da paixão

Foi na bela e turística cidade de Portimão, situada no distrito de Faro que, em 1976, nasceu aquele que se viria a tornar a futura promessa do mundo fotográfico. Aparentemente o que parecia apenas uma brincadeira de criança acabou por se tornar numa paixão e mais tarde uma profissão.

Impulsionado pelo padrasto que, nas décadas de 70 e 80 era proprietário, em conjunto com um sócio de um estúdio fotográfico situado no centro da cidade de Lagos, Pedro desde muito cedo esteve envolto em toda a magia que o processo fotográfico envolve.

“Entrava para a câmara escura onde o meu padrasto ou o Marinho estavam a fazer a revelação dos filmes e ainda me lembro da luz vermelha que era a única fonte de luz naquele espaço. Para mim era mágico ver como uma folha de papel branco se transformava em imagem depois de mergulhada em água com a ajuda dos químicos (o revelador e o fixador). Era uma espécie de alquimia!” refere Pedro.

Com apenas 15 anos e na posse de uma máquina fotográfica analógica emprestada pelo padrasto, uma Praktica, Pedro viu numa das ruas de Lagos o palco perfeito para aquela que viria a ser a sua primeira fotografia, “reparei numa senhora toda vestida de preto que levava uns sacos de compras, estava de costas e caminhava bem no centro da rua das escolas primárias” relembra Pedro.

 

 

A passagem à “Era Digital”

Ao longo dos tempos as máquinas fotográficas e a própria fotografia, bem como todo o processo que esta envolvia foram sofrendo várias evoluções, a mais marcante foi possivelmente a passagem das chamadas “máquinas de rolo” ou de filme para as máquinas digitais em que já se tinha acesso ao produto final na hora através de um pequeno ecrã. Em seguida foram surgindo as câmaras nos telemóveis que foram sendo cada vez mais aperfeiçoadas e hoje em dia os telemóveis substituem as “velhas” máquinas fotográficas.
Fotografar antigamente, era um processo que envolvia tempo e paixão pela arte. O processo que decorria desde o momento em que era disparada a máquina até ver nascer na simples folha de papel em branco a imagem que havia sido retratada era absolutamente único.
Atualmente, para se ver o resultado de uma fotografia basta olhar para o ecrã do telemóvel e com um simples toque partilhar aquela imagem com familiares, amigos e conhecidos nas redes sociais, foi esta facilidade e instantaneidade que acabou por fazer desvanecer toda a magia que envolvia a fotografia e torna-la um assim, um ato banal para a sociedade. Pedro Noel assume que para si “era pura magia fotografar com filme fotográfico, em que só depois é que saberíamos o resultado final. Era algo que não é instantâneo como agora em que tiramos a foto e vemos logo o resultado.”

Do anonimato ao reconhecimento

Com a chegada das novas tecnologias gerou-se também a controvérsia entre muitos artistas que, vendo o seu trabalho exposto online temiam que assim perdessem visitantes nas galerias e museus de arte, mas Pedro não concorda com esta opinião, uma vez que viu no Facebook e no site da revista “Olhares” a sua rampa de lançamento para o mundo profissional da fotografia “publicava muitas fotografias e as pessoas começaram a gostar do meu trabalho, especialmente da fotografia a preto e branco” refere Pedro, assumindo que as redes sociais são uma boa plataforma de lançamento dos seus trabalhos. “O Instagram, Facebook ou mesmo um blog, servem para que de forma rápida e fácil possamos chegar até ás pessoas. Eu penso que para quem gosta verdadeiramente de fotografia, terá o bom senso de se deslocar até a um espaço onde esteja a decorrer uma exposição de fotografia e apreciá-la bem de perto.” afirma Pedro frisando ainda que ver uma fotografia através da internet nada tem a ver com a experiência de vê-la na sua forma física.

Apesar de não ter uma ideia de quantos prémios já leva na bagagem, Pedro conta com vários prémios recebidos bem como várias menções honrosas e nomeações para prémios que apesar de não ter vencido considera igualmente importantes. “Ter uma obra nomeada já é bastante importante: é sempre sinal que algum, ou alguns, elementos do júri do concurso gostaram do trabalho e com isso ganho pontos.” afirma o fotojornalista. Foi então em Outubro de 2006 que Pedro angariou o honroso primeiro prémio do 2º Concurso de Fotografia de Alvalade Medieval, este foi o primeiro de muitos e desde então o seu trabalho tem vindo cada vez mais a somar apreciadores.

Pedro que já viu alguns dos seus trabalhos expostos em locais como o IPJ de Faro, o Centro Cultural de Lagos, o Museu de Lagos, a EMARP em Portimão, o Museu Municipal de Fotografia João Carpinteiro em Elvas, no Porto, em Lisboa e em tantos outros locais de Portugal conta também com o privilégio de ter tido uma das suas fotografias expostas no famoso Museu do Louvre e outras duas exibidas nos écrans de Times Square Garden em Nova Iorque. Embora este tenha sido um momento muito importante na sua carreira Pedro tem ainda alguns sonhos que ambiciona realizar entre eles vencer o World Press Photo (principal concurso de fotografia e fotojornalismo mundial) e também gostaria de expor um dia o seu trabalho na “Magnum Gallery” em Paris.

A Fotografia é…..

Uma só fotografia pode assumir vários significados e interpretações, o fotógrafo faz uma leitura da sua obra que pode ser bastante diferente da ótica do observador, e por sua vez cada observador assume uma leitura e interpretação diferente da fotografia tal como acontece na pintura, escultura ou em outra qualquer forma de arte.
Pedro assume não conseguir escolher a sua “melhor” fotografia afirmando ter algumas que o marcam não só pelo momento em que fotografou mas também pelo que sentia quando carregou no botão, “tenho a ideia que são os momentos que nos escolhem para fotografar e não o contrário”.

“Para mim a fotografia é…… Sentir”

 

Contactos

olhares.com/petrosdune
facebook.com/kameraeskura
kameraeskura.blogspot.pt

Artigo anteriorIr de Inglaterra a Portugal de carro
Fábia Rodrigues

Natural do Fundão. É licenciada em Jornalismo e Comunicação pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre. Apesar das dificuldades de empregabilidade nesta área, tem total esperança que esta nova “remessa” de jornalistas e profissionais da comunicação vai revolucionar a área levando o jornalismo de volta para aquilo que realmente é, a transmissão clara e verdadeira de informação. É jornalista no Coração Luso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor faça o seu comentário!
Por favor insira aqui o seu nome