
Seja então, Peter Pan para os amigos. Pedro Pimentel, 32 anos, a aventura é a sua forma de vida. Conhecer, explorar, viver. Este português já esteve em cerca de 12 países. Paraquedista e fotógrafo, já fotografou dos lugares mais belos aos mais inóspitos do planeta. Engenheiro mecânico de formação, Pedro assume-se como um aventureiro, que adora o que a vida tem de maravilhoso para dar. O mundo é a sua casa.
Trabalhar no estrangeiro foi mais que uma oportunidade, foi sempre uma certeza para Pedro Pimentel. O português assume-se um «apaixonado por viagens e por outras culturas». Depois de ter passado quase seis meses fora de Portugal, a viajar pela América do Sul, «subitamente Portugal parecia demasiado pequenino», conta Pedro.
Hoje, Pedro Pimentel vive em Cardiff, no país de Gales. O próprio diz não ter sido escolha sua. «Penso que foi mais obra do “destino” do que opção própria.» Na altura estava em processo de se candidatar para trabalhar na Noruega e a namorada candidatava-se a trabalhos no Reino Unido. «O nosso plano era simples, o primeiro que arranjasse trabalho determinava para onde íamos. Ela arranjou trabalho no País de Gales e aqui estou desde então», conta.
Neste período em que já viveu fora do país, vários foram os projetos que Pedro Pimentel conseguiu desenvolver. Filho de fotógrafo, Pedro desenvolveu também o gosto pela fotografia e hoje dedica-se quase a 100 % a essa actividade. Passou de uma paixão a uma profissão. Contudo, não foi área que tivesse experimentado em Portugal com grande afinco. «Não sei se será justo fazer esta comparação, pois não pude experimentar em Portugal.»

As suas fotografias inserem-se na maioria em duas temáticas: a aventura e a viagem. Duas áreas que caracterizam o protagonista desta história. «Fotografar aventura e viagem exige muitos contactos e sobretudo uma flexibilidade de tempo e facilidade em viajar. Penso que teria sido difícil ter chegado tão depressa onde estou se estivesse em Portugal», confessa o fotógrafo.
A lista dos desejos
«777 Things to do Before I die…» é o nome da principal lista de objetivos que Pedro Pimentel quer concretizar. Considera-se um eterno sonhador e assume-se como uma «máquina de produzir ideias». «A lista é infinita… Na porta da minha sala tenho afixada essa lista, mas há outras listas de outras tantas coisas espalhadas em blocos de apontamentos, no computador, no telefone, etc.», conta.
Há, na sua lista, três coisas que Pedro definiu para acontecerem em breve. O primeiro desses objetivos tem a ver com a sua principal área profissional, a engenharia mecânica. O português pretende conseguir a certificação profissional na ordem dos engenheiros mecânicos do Reino Unido. «Penso que esta será uma mais valia para qualquer outro país que me mude.»
Pedro também está a desenvolver um documentário sobre um novo desporto. Terminar o projecto é o segundo objetivo. «O filme mostra uma modalidade recente, o highline, e o seu desenvolvimento no Reino Unido. Está em curso e ainda tem muito trabalho pela frente.»

Mais objetivos alcançados
«Em termos profissionais, na área da Engenharia penso que tive muita sorte pelo reconhecimento que me foi dado desde cedo na empresa onde trabalho. Esse reconhecimento conseguiu-me uma posição que sinto muito segura e caso desejasse ficar aqui eternamente, a minha progressão na carreira é algo quase garantido.»
Um sonho, trabalhar a partir de qualquer parte do mundo
Na área da imagem, Pedro Pimentel considera ter ainda um longo caminho a percorrer, «tanto de aprendizagem como de dedicação». Contudo, considera muito difícil desenvolver outra atividade quando se tem um trabalho a full-time ao mesmo tempo. Ainda assim, está nos seus planos fazer alguns trabalhos em Portugal. «Também gostava de começar a por um “pezinho” em Portugal com o meu trabalho de imagem, para que pelo menos o mercado comece a saber que eu existo e desenvolver algumas parcerias na área da imagem com jornais, revistas ou mesmo agências de publicidade. O meu sonho seria poder trabalhar a partir de qualquer parte do mundo. Com o meu material de imagem, um computador e uma ligação à internet. Se conseguisse isso, era um homem 300% feliz.»
O bom de viver no País de Gales
«Bom é encontrar amigos que realmente se encaixam nos nossos padrões e que me surpreendem pela sua capacidade de serem tão diferentes num país em que as pessoas têm uma componente social muito menor, ou diferente, da nossa forma de fazer amigos e conviver.»
O menos bom de viver no País de Gales

Portugal e as saudades
«Família e amigos, sem quaisquer duvidas! Mas se falarmos de algo que seja mais papável… PASTÉIS DE NATA!»
Se pudesse escolher, Pedro trabalharia em Portugal, mas «nunca com base permanente. Penso que quando se viajou um bocado é difícil regressar às origens e não voltar a partir. Acredito que existe uma linha a partir da qual passamos a ser um cidadão do MUNDO e não unicamente da nossa pátria.»
Pedro sente que, neste momento, talvez não conseguisse em Portugal uma situação que o satisfizesse. «As noticias que chegam pela boca da nossa geração, e mesmo outras, não são as melhores. E tenho a ideia que para conseguir algo similar teria de criar o meu próprio negócio e neste momento ainda não encontrei os parceiros certos, a ideia certa ou ainda não me sinto preparado para esse compromisso e dedicação. Mas estou de olhos abertos e nunca se sabe o que vem ao virar da esquina. Às tantas já vem a caminho.»
Pedro Pimentel, uma pessoa diferente
«Todas as experiências nos mudam constantemente. Viver no Reino Unido mudou muitas coisas em mim. Aprendi a ser mais tolerante com as diferenças culturais, aprendi uma organização e uma pontualidade que ainda que não seja como os Suíços está bastante alta na lista, aprendi que demasiadas regras podem matar a espontaneidade de um povo, aprendi a planear o meu ano e planos de férias com antecedência para não pagar voos ao preço do ouro… e muito mais. Quanto maiores as diferenças de um povo, penso que mais se pode aprender. Ainda que, por vezes, essa aprendizagem possa custar, uma vez que nos tira da nossa zona de conforto.»
De Portugal para Cardiff
«De Portugal para Cardiff, e provavelmente para qualquer outro país do mundo, levaria a nossa simpatia, os nossos hábitos sociais e capacidade de conversar, a casa dos meus pais, a minha irmã e provavelmente uns quantos caixotes de livros que tive de abandonar até um dia… Adoro livros!»
De Cardiff para Portugal

Na lista de objetivos de Pedro a curto prazo não se encontra um regresso a Portugal. «Neste momento, não consigo ver uma possibilidade de isso acontecer. Ainda que quando me mudei para cá pretendesse que isto fosse apenas uma experiência de uns três ou quatro anos. Já lá vão três e sei que neste momento não é a melhor altura de voltar.»Antes do regresso, há outros sonhos que vão tomando forma. «Tenho o sonho de me mudar para Chamonix, por causa da minha atividade como fotografo e paixão pela montanha… Sou fanático pelas montanhas mais lindas do mundo! Acho que, se tivesse de parar “permanentemente” num único sítio, seria lá. Mas neste momento estou a avaliar uma mudança para a Austrália. Ainda é muito cedo para dizer que vai realmente acontecer, mas nas condições certas poderia ser uma experiência um pouco mais solarenga e bastante interessante. O mais difícil seria sem dúvida a distância.»
Uma frase para definir esta experiência

Um emigrante que é um camaleão
«Sou um bocado do tipo camaleão. Sempre me integrei muito facilmente nos mais diversos meios em que me movo, ainda que a diferença de presenças e forma de estar possa ser abismal. Mas, no fundo, sei e acredito que, com a nossa natureza social e simpática, típica dos portugueses, não é difícil integrarmo-nos em qualquer lugar do mundo. A prova está aqui mesmo, neste projecto onde podemos encontrar testemunhos de portugueses que se mudaram com sucesso para os mais diversos cantos do mundo.»
Mais do que tudo é um Coração Luso
Penso que sou um observador divertido. Sou, sem qualquer dúvida, um coração luso pela forma como me movo, apresento e existo, mas há muito que me considero mais um cidadão do mundo do que qualquer outra coisa.
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