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Regressar depois de emigrar

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Regressar depois de emigrar
© <a href="http://www.raquelindreams.com/" target="_blank">Raquel in Dreams</a>

11 meses depois de chegar “a casa” percebi que serei sempre uma emigrante… Foi um ano duro, cheio de aventuras, com algumas dúvidas, dias de arrependimento, saudades daquilo que já foi… Foi um ano para me descobrir de novo… para perceber quem sou, o que quero e o que me importa… foi um ano de aprendizagem e descobertas! E descobri que passe o tempo que passar haverá sempre em mim a miúda que em finais de 2012, com 21 anos, meteu o coração no bolso e a vida numa mala... saiu porta fora sem olhar para trás… caiu no fundo do poço, chorou e sofreu com as suas escolhas, questionou a sua própria sanidade mental… E, entre tropeços e recomeços, lá se ergueu, nunca sendo melhor que ninguém, mas sempre consciente que podia ser melhor que ela própria a cada dia que vivia… eis quem sou… a bagagem que veio… Não consegui durante estes 11 meses deixar de ser essa miúda… E apercebi me que não quero deixar de o ser!
Arrumei parte da minha vida, inclui nela pouca gente, exclui um grande número… não tenho medo de ser quem sou, de sentir o que sinto nem dizer o que penso! Não me aflige sentir que me julgam ou se amedrontam á franqueza da minha voz… o que dizem diz muito sobre eles nas nada diz sobre mim! Não aceito que digam o que não sabem e com um sorriso no rosto lhes explico de modo subtil que o mundo não termina em Badajoz! Na Islândia fui “miúda” em Portugal sou “adamastor”! Se no país do gelo me davam lições de vida pela minha idade, em Portugal existe um certo tremor pela minha firmeza! Se na Islândia havia desdém porque a miúda estava acima de quem já tinha as lições de vida todas, em Portugal senti que era alvo a abater por já ter ido onde nunca foram… O maior problema de voltar a Portugal é que aqui os portugueses são muitos mais! Mas com eles posso eu bem, ganho por experiência e porque os conheço dentro e fora de campo… há quem ache que eu estou a competir por alguma coisa, criou o jogo, escolheu me como adversário, vai perdendo por cansaço, festeja as vitórias que acha que tem… e enquanto isso eu vou vivendo, vou viajando, vou tendo boa referência por parte dos clientes, vou tendo propostas de trabalho, vou criando contactos… o meu ano resume-se a isto! Chego ao fim a perceber que houve uma suposta competição e que ganhei exactamente porque não sabia que estava a competir, ganhei porque me senti livre, porque aprendi, porque gosto do que faço, porque quero fazer mais e porque nunca me esqueci da miúda emigrante que vive em mim… e posso perder tudo nesta vida, mas nunca vou permitir perdê-la!!!

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1 COMENTÁRIO

  1. Olá Catarina. Saí de Portugal há 6 anos e finalmente estou a pensar voltar em 2019. Os sentimentos que tu expressas têm-me assaltado regularmente desde que comecei a pensar voltar. Identifico-me com tudo o que dizes, sobretudo a parte de “Arrumei parte da minha vida, inclui nela pouca gente, exclui um grande número”….. decididamente sinto que o meu regress a Portugal terá obrigatoriamente de passar pela criação de um “mundo protegido” onde só as pessoas escolhidas têm acesso e onde a sociedade em geral seja filtrada. Quando às vezes leio comentários a artigos jornalísticos fico tão envergonhada pela mentalidade tacanha e mesquinha dos portugueses….mas depois lembro-me que quem normalmente comenta felizmente não representa a totalidade da sociedade, porque os inteligentes escolhem o silêncio sábio 🙂 coragem para a tua nova vida de regresso a Portugal e não percas mesmo “a miúda”.

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