Rodrigo da Silva nasceu nos Estados Unidos da América. Foi lá que viveu com os pais, na altura, emigrantes, até aos 13 anos. Depois mudou-se para Portugal, onde prosseguiu os estudos.

 

Após terminar o seu curso na universidade, Rodrigo procurou trabalho durante cerca de oito meses, mas sem sucesso. Um dia, através da universidade, surgiu a oportunidade de estagiar em Bratislava, capital da Eslováquia, via AIESEC, um programa de estágios internacionais.

A vontade de viver e trabalhar fora de Portugal ganhava mais força. Assim, durante o estágio, Rodrigo registou-se num sitede emprego. Voltou a Portugal e, poucos dias depois, já tinha uma proposta para trabalhar em Brno, República Checa. Há cerca de dois anos e meio que vive lá.

Viver noutro país dá-lhe aquilo que Rodrigo considera não ter sido possível se continuasse em Portugal. «Penso que ter um emprego estável não seria possível», diz Rodrigo. O seu objectivo? «Continuar a trabalhar muito e deixar todos orgulhosos de mim», afirma.

Como um dos momentos marcantes neste percurso fora de Portugal, Rodrigo destaca a ocasião em que conheceu a namorada: «uma história boa foi ter conhecido a minha namorada e a sua família. Como ela mora numa pequena vila todos me conhecem lá e tentam falar comigo em inglês. Posso dizer que não tenho nenhuma história menos boa, tudo tem corrido muito bem aqui nestes dois anos e meio e não tenho tido problemas em nenhum lado. A razão disto talvez seja por causa da minha personalidade, mas não sei ao certo».

 

Um emigrante qualificado

Rodrigo Silva não se considera emigrante, apenas mais um estrangeiro a trabalhar fora do país. «Não me considerei como um emigrante apesar de o ser por definição. Sou apenas mais um estrangeiro qualificado a trabalhar cá fora», refere.

 

Curiosidades checas

Rodrigo destaca duas curiosidades culturais em relação à República Checa: é «um dos países mais agnósticos do mundo» e é onde se bebe mais cerveja por pessoa. «Nota-se que a cultura da cerveja está muito entranhada nas pessoas e também na história do país. Antigamente, nos muitos castelos que existem cá, fabricava-se a própria cerveja. Também é um dos países mais agnósticos do mundo, apesar de haver igrejas por todo lado, principalmente em Praga (conhecida por ser a cidade dos cem pináculos)», explica o português.

 

 Portugal e as saudades

Do que Rodrigo tem mais saudades de Portugal é «o bom tempo ao longo do ano e as várias horas de sol durante o inverno”.

 

De Portugal para a República Checa

Se pudesse fazer trocas entre Portugal e a República Checa, Rodrigo não tem dúvidas: «de Portugal traria o mar e a praia e de cá levava a mentalidade das pessoas».

 

Uma pessoa diferente depois de viver fora de Portugal

«Acho que agora sou um pouco menos tímido do que era dantes. Não sei se terá a ver com o facto de viver num país diferente com uma língua completamente diferente ou se é pelo facto de ser mais velho», confessa Rodrigo. E acrescenta: «só morando fora do país é que se pode ver realmente os problemas que lá existem».

 

Regressar, só nas férias

Rodrigo conta que não ambiciona regressar a Portugal, a não ser nas férias. Nunca sentiu a falta de um lugar, apenas que «com o meu nível de inglês poderia trabalhar em qualquer parte do mundo e que Portugal talvez fosse muito pequeno para mim». Apesar de considerar que em Portugal seria melhor recompensado em termos económicos, prefere ter a qualidade de vida que a República Checa lhe proporciona: «tenho a certeza que receberia mais em Portugal do que aqui, a exercer a mesma função. Mas não trabalharia aí. Sinto que tenho melhor qualidade de vida cá», refere Rodrigo Silva.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Sou português com muito orgulho e sempre que tenho possibilidade falo de Portugal e da sua história. Faço sempre questão de dizer que sou de Ponte da Barca, que é uma pequena vila. As pessoas ficam sempre impressionadas com aquilo que Portugal fez e deu ao mundo, apesar de ser um país muito pequeno. É pena que a glória de Portugal tenha ficado no passado e que hoje em dia as coisas estejam como estão.

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Mara Alves
É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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