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Rússia: O gigante gelado que não aprecia visitas

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Rússia: O gigante gelado que não aprecia visitas

Tal como diz a canção, durante semanas, o mundo chamou-nos loucos.

Ainda em janeiro, quando começámos a planear a viagem à cidade de São Petersburgo, na Rússia, o nosso grupo de amigos fazia questão de nos relembrar que íamos cometer uma loucura.

Ninguém concordou, tentaram demover-nos várias vezes. Em jeito de brincadeira (acredito eu) chegaram mesmo a despedir-se de vez.

Mal sabíamos nós que, pouco mais de 24h depois de voltarmos da cidade, um atentado terrorista no metro matava 13 pessoas e despoletava uma gigantesca onda de operações policiais antiterrorismo no país.

Mas comecemos pelo princípio… Optámos por ir à Rússia porque procurávamos uma cultura, e acima de tudo, um desafio diferente. Foi precisamente o que encontrámos…

Planear uma viagem à Rússia sem recorrer a agências de viagem não é, de todo, simples. Trata-se de um povo frio e que parece não ter qualquer interesse em receber turistas.

Sem surpresa, tirando o Interrail, que envolveu uma logística ainda maior, esta foi a viagem mais “complexa” que já fizemos.

A primeira coisa a fazer é reservar o voo e o hotel. Só depois de receber as respetivas confirmações pudemos começar a “trabalhar” na verdadeira saga que é a obtenção do visto.

Vou ser direto, basicamente existem duas formas de lidar com o processo, gastar um ou dois dias de férias e partir à aventura para o centro de vistos da Rússia para poupar algum dinheiro, ou pagar a uma agência para que trate de tudo.

Para nós a escolha foi simples, os dias de férias são absolutamente preciosos para viajar, pelo que optamos pela segunda via.

Os russos levam a segurança no país muito a sério, e para obter um visto de turismo terão de apresentar, em conjunto com o questionário eletrónico de visto preenchido, um seguro de saúde que cubra um montante de até 30 mil euros em despesas médicas, uma fotografia tipo passe, o passaporte e… um “convite” (pausa para franzir o sobrolho).

Há apenas dois países que obrigam os portugueses a fazer um seguro para ter acesso ao visto, a Rússia e a África do Sul. Isto porque o governo russo não tem qualquer intenção de pagar as vossas despesas caso adoeçam.

No nosso caso, o seguro foi providenciado pela agência que tratou do processo do visto.

Já o referido questionário, que preenchemos com ajuda da agência em alguns minutos, chega a ser perturbador… É extremamente minucioso e requer dados como: morada, número de telefone, profissão e local de trabalho, se já tiveram outro nome, se têm família na Rússia e os motivos porque vão ao país.

Além disso terão de indicar o dia e a hora em que vão chegar e abandonar o país. Vale a pena rezar para que o avião não se atrase.

Quando afirmei que era jornalista, a funcionária da agência lançou um olhar difícil de explicar. Um misto de dúvida e preocupação. Percebi imediatamenteporquê… Acabei por indicar ser copywriter, e felizmente não houve problemas.

Para terminar esta primeira parte, falar sobre o convite. Sim, é surreal mas verdade. Para entrar na antiga União Soviética é necessário que alguém vos convide. Mas não se preocupem, não é preciso ter um primo a viver no país. O documento em russo pode ser conseguido através do hotel onde irão ficar hospedados. Na maior parte das unidades poderá ser solicitado através do seu site e irá custar-vos cerca de 20 euros por pessoa. Se fizerem a reserva através do Booking poderão aceder ao site da agência oficial de turismo da cidade e conseguir o convite de forma gratuita na hora.

Depois de completo, o questionário seguiu com a fotografia, o seguro, o passaporte e o convite para aprovação do Departamento Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia.

A agência tratou de fazer a entrega e cerca de dez dias depois recebíamos os passaportes já com o visto impresso.

No total, gastámos cerca de 140€ (por pessoa) no visto, seguro e convite. Um valor que seria mais baixo caso tivesse tratado de tudo individualmente.

Como podem ver, visitar o gigante gelado não é propriamente uma tarefa fácil ou simples. Há que querer mesmo muito, e ultrapassar as burocracias sem medo. Ainda assim, acreditem que vale a pena.

Não percam na próxima crónica, a história dos dias que estivemos em São Petersburgo. Vai haver de tudo, desde os palácios mais belos aos taxistas mais alucinados.

 

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Tem 24 anos, é natural de Portalegre e vive de momento em Lisboa, onde trabalha. Formado em Jornalismo e Comunicação, até hoje esteve em cerca de 20 países, dezenas, talvez até centenas de cidades, das maiores metrópoles às mais pequenas aldeias. Uma lista que pretende continuar a preencher.

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