A história de Sofia Machado é mais do que uma história sobre emigração, é uma história de amor. É fruto de uma “curiosidade insaciável de conhecer o mundo” e de um amor sem fronteiras, adverte.

Corria o ano de 2010, quando Lisboa viu Sofia  deixar, aquele que foi durante mais de duas décadas, o seu berço. Mudou-se de espírito aberto e pouca bagagem. Pegou em “vinte quilos da sua vida”, refere, e partiu na certeza de um amor australiano. Paul foi o fundamento de uma mudança inesperada. Foi ele, explica, associado à “atração natural de viver noutro país” que impulsionaram a licenciada em educação física a viajar, sem regresso previsto, para o outro lado do mundo.

Conheceram-se numa cidade Europeia e tornaram-na palco de partilhas e promessas.
Itália viu nascer um amor sem fronteiras, há quatro anos atrás. Os contornos desta história definem-se em traços simples e de relato fácil, não fosse a mesma descendente de uma paixão.

Sofia estava a meio de um InterRail, quando se cruzou pela primeira vez com Paul. Descobriram-se “num barco de Itália, com destino a Montenegro”, explica. Viajaram “juntos durante umas semanas”, Sofia não soube precisar quantas, e a cumplicidade tornou-se notória. Tanto que quando a alfacinha decidiu retornar a Portugal, o australiano comprou um ingresso para o mesmo embarque. “Quando ia regressar a Portugal, perdi o avião. Quando comprei novo bilhete o Paul comprou bilhete para o mesmo avião, sem eu saber, e foi comigo para Portugal”, ressalva Sofia.

Viveram juntos durante um ano em Portugal, antes de se fixarem definitivamente na Austrália. O que “foi óptimo, para o Paul aprender português”. Ficou “fã número um”, esclarece.

 

Aliar o útil ao agradável

Com um novo desafio em curso, e de coração cheio, procurou integrar-se numa cultura diferente da dos costumes lusitanos e tirar o máximo partido dela.

Foi o amor que a fez trocar o berço de oiro por um país desconhecido, mas a Austrália acabou por oferecer mais do que juras de amor a esta portuguesa, com formação na área da educação.

Voltou a ingressar no ensino superior, de forma a “complementar a formação académica” e rentabilizar o tempo. Já licenciada em Educação Física, manteve-se fiel à área da educação. Graduou-se em educação de infância, ofício que exerce actualmente e pela qual se sente “reconhecida profissionalmente”.

Não pensa voltar a Portugal tão cedo: as “recompensas salariais e as promoções” são demasiado aliciantes. A “ética de trabalho, o companheirismo e a vontade colectiva de aprender mais”, prendem-na a um país que já considera seu.

 

Dois Países: semelhanças e diferentes entre culturas.

O amor incutiu-lhe, e deu-lhe a conhecer, novos hábitos.

Sofia adoptou, das pessoas que estão ao seu redor, “maneirismos e opiniões”. Está mais “aberta e tolerante”, crê. Tanto, que deixou de beber café depois das onze – na Austrália café, só de manhã ou à tarde.

Quando a convidam para jantar fora, já sabe que muito provavelmente vai jantar no varadim ou no jardim de uma casa. Na austrália o conceito “tem um sentido mais literal”. Comer fora é “comer ao ar livre”, elucida Sofia.

Já não estranha quando um desconhecido a interpela para “perguntar como está a correr o dia” ou para saber o que vai fazer a seguir.

O que se assemelha? A burocracia de um visto. Sofia passou os primeiros “quatro anos de visto em visto, sem saber se algum dia ia conseguir ser residente”. Foi stressante, foi “viver na corda bamba”. Já a vida de residente, “é muito mais tranquila”, ressalva.

 

No futuro, viajar na Lucy

Lucy é o Land Rover, onde o casal quer passar um ano a percorrer a Austrália. É um sonho que partilham em comum e que gostariam de adaptar também a uma visita a Portugal.

Até ao que Lucy chegue, por cá moram as saudades da família e dos amigos. Por lá reside a certeza de que “o nosso destino não é um lugar, mas uma nova forma de ver as coisas”.

Divulgará o feito no blog que criou, para documentar experiências e peripécias. “Sofia Na Austrália”, assim se intitula, é um relato de partilha que tem servido como escape, para atenuar as “saudades da família e dos amigos”.

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Define-se como “uma portuguesa desenrascada, que gosta de arriscar e de viajar” e ver “sempre o lado positivo das coisas”.

 

Saiba Mais

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É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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