É português, aos 16 anos começou a carreira de treinador de futebol. Passa por todos os escalões de formação em Portugal. Aos 27 anos é já um treinador internacional. “Jovem irreverente, bom coração, frio, direto, esperto e acima de tudo determinado”, é assim que Tiago Conde se apresenta.

 

Em janeiro de 2002, Tiago Conde iniciava-a a aventura que hoje virou a sua profissão, treinador de futebol.  Aos 16 anos, na formação do Anadia. Aos 18, tirou o curso de Nível I e tornou-se oficialmente treinador. Mais tarde, aos 20,  tirou o curso de Nível II e nessa altura já tinha passado como treinador principal e adjunto, dos escalões das idades dos 6 aos 14 anos, no Anadia (clube da sua terra), função que mantinha em simultâneo como observador do Beira-Mar, clube que na altura estava na 2ª Divisão, atual 2ª Liga, como adjunto de Augusto Inácio.

 

Vice- Campeão de Sub-12

“O gosto, a paixão, e a vontade de conhecer novas pessoas”, leva Tiago a ingressar no Leixões, o clube histórico de Matosinhos. Nessa altura, termina o 12º ano no Porto e propõem-se para aprender e treinar. Ficou como adjunto dos juniores do Leixões na época 2006/2007, e a partir de janeiro de 2007 fica como adjunto de uma equipa de infantis, fazendo parte da estrutura do clube, vivendo nas suas instalações.
No final de junho de 2007,  sai do Leixões para ingressar no curso de Comunicação Empresarial na Universidade de Coimbra. Com a entrada na universidade, Tiago Conde, regressa à origem, volta ao clube da sua terra e fica com o grupo de jogadores que havia deixado aquando da partida para Matosinhos. É nessa altura que consegue o título de  vice-campeão de Sub12 no distrito de Aveiro.

 

A passagem pela Académica de Coimbra e o André Villas Boas

Em junho de 2008, Tiago é convidado para ir para a Académica para adjunto dos juniores, trabalhando com um treinador estrangeiro. Durante 3 anos, foi adjunto dos juniores e e treinador  dos Sub17 e Sub16.
Em 2009,  André Villas Boas chega à Académica como treinador de seniores e Tiago aproveita para enriquecer o seu curriculum a trabalhar com este treinador.  Depois disso, surge a oportunidade para tirar o curso de treinador Nível III, na companhia de Fernando Couto, Paulo Fonseca, entre outros.

 

Novo regresso ao Leixões

Em julho de 2011, surge um convite do Leixões por parte do treinador de quem Tiago haveria, em 2007, sido adjunto, para treinar os Sub15( iniciados) e inicia um novo ciclo. Em março de 2012, assume uma nova função, treinar os juniores e terminar a época e “salvando-os da descida de divisão. Na época 2012-2013”, conta. No entanto, por motivos financeiros no início da época Tiago sai do Leixões.

 

Uma oportunidade na Guiné Bissau

Sair de Portugal era algo que Tiago Conde já tinha pensado – “na verdade passou-me algumas vezes pela cabeça sair visto que as coisas por Portugal também não estão boas e como tal, nós jovens temos que fazer pela vida, e fazer pela vida e isto, é sair e arriscar” refere.

Em Novembro de 2012, surge o convite para trabalhar numa academia de futebol na Guine-Bissau, uma oportunidade que Tiago Conde agarrou e que da qual não se arrepende – “ Em Portugal tudo é diferente visto ser um pais que esta inserido na união europeia, é um pais desenvolvido, ao passo que Guine-Bissau, é um pais pobre, sub-desenvolvido, logo ai as pessoas, os hábitos, tudo, mas tudo é diferente. E lá temos uma projeção muito maior por muito pouco que façamos” conta.
“Em África gostaria de ter o privilégio de ser selecionador e de levar uma equipa que nunca tenha conseguido ir a uma CAN (Cup of African Nations), qualifica-la ou até quem sabe chegar a uma final da CAN” refere.

 

Um emigrante de ocasião

Com metas e objetivos bem definidos Tiago Conde pretende ir até onde o sucesso o levar, “defino-me um emigrante de ocasião, ou seja, agora estou em África o projeto é muito bom e credível, mas a qualquer momento posso voltar a Portugal ou até rumar para a Ásia, já me mentalizei que se quero ter sucesso tenho que ser cidadão do mundo”, afirma.

 

O único português no futebol guineense

Tiago Conde afirma não existirem muitos portugueses na Guiné – Bissau e os que existem são da área de negócios “ existem alguns brancos nem todos portugueses. No Futebol eu sou o único, mas em áreas de negócios existem muitos e sim conheço a grande maioria mas também não são da minha área e possível que não conheça toda a gente” conta.

 

Saudades de Portugal e objetivos cumpridos

Apesar das saudades que diz ter, Tiago Conde, conseguiu alcançar os objetivos profissionais a que se propôs “sinto saudades da família e das pessoas que eu sei que gostam de mim, naturalmente com o tempo e com a adaptação isso vai desaparecer um pouco mas gosto de Portugal e sou um orgulhoso português. Na verdade o grande objectivo do projeto é trabalhar os jogadores em África, dota-los de competências e traze-los para a Europa. Seguindo esse principio, temos conseguido pois conseguimos ter 7 jogadores com capacidade para vir”, salienta.

 

O sonho do futebol italiano

Tiago Conde terminou recentemente o IV Nível do curso de treinador e, acredita, pois, que se tivesse de trabalhar em Portugal não teria dificuldades, no entanto, um sonho. Treinar em Itália.

“Tenho lugar no meu pais mas como tenho 12 anos de treinador, e já passei por vários escalões da formação, agora o próximo passo e treinar seniores e para tal até ao 30 anos só como treinador adjunto. Como treinador tenho o grande sonho de treinar em Itália, a juventos. E um clube enorme e cheio de mística! Por outro lado o futebol inglês também e fantástico” conta.

 

Uma frase para definir esta experiência

«Nunca digas nunca, porque os limites, como os medos, são geralmente uma ilusão.»

Temos que arriscar e não ter medo de viver uma nova experiencia, o desconhecido, há lá que muitas vezes estão as grandes oportunidades.”

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Como já referi anteriormente, sou um orgulhoso português, e acho que isso é claramente dizer que gosto da minhas origens e fico triste quando sinto que o pais atualmente não esta a passar uma situação fácil.

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Mara Alves
É a fundadora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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