Tiago Franco, 37 anos, vive há oito fora de Portugal. A Suécia foi o país que o acolheu numa descoberta que se revelou o seu lar. Desde os tempos de universidade que Tiago Franco desejava viver fora de Portugal. A insatisfação com o local de trabalho, na altura, ditou a saída: «estava insatisfeito no meu local de trabalho e queria evoluir, aprender mais, fazer coisas diferentes. Tinha desde há muito enorme curiosidade por viajar e pensei em juntar as duas coisas. Saí em 2006, numa altura em que a crise não era tema. Fi-lo para explorar novos mundos», explica Tiago.

 

Tiago Franco é engenheiro electrónico e, neste momento, está a desenvolver um projeto para a Volvo Cars sobre o controlo de sistemas de entretenimento (GPS, rádio, CD, etc.). A vertente profissional tem sido o grande destaque nestes oito anos. A autonomia e o reconhecimento daquilo que pensa são os pontos fortes a nível profissional na Suécia: «vivo há oito anos fora de Portugal. Aprendi e evoluí muito na vertente profissional. Tive autonomia nas escolhas de cada projeto, fui parte das decisões e sempre responsável pelas execuções, sozinho ou como parte de uma equipa. A minha opinião passou a contar, algo que nunca aconteceu em Portugal. Portanto, em resumo, nada do que fiz na Suécia teria sido possível em Portugal», conta.

 

Os sonhos

Abrir uma empresa com outros portugueses é um dos sonhos a alcançar: «gostava de abrir a minha própria empresa de engenharia com antigos colegas de curso, também portugueses, e oferecer os nossos serviços na Escandinávia». E adianta: «para ser sincero, alcancei coisas que nunca imaginei quando fiz as malas. Profissionalmente, estes oito anos têm sido quase inacreditáveis», confessa Tiago.

 

«A casa ainda é Portugal»

Longe da mulher, são muitas as vezes que viaja até aos Açores, para matar as saudades. Em criança, Tiago Franco viveu na ilha de Santa Maria, nos Açores, e de lá guarda as memórias e essa grande amizade de infância que hoje se transformou num grande amor. Tiago Franco define-se como alguém que não gosta de estar longe de casa. A «casa ainda é Portugal», diz. Está atento ao que se passa no país: «ao fim de oito anos continuo a seguir diariamente as notícias em Portugal e não me consigo desligar. Nem quero. Sofro por constatar que dificilmente voltarei para o meu país em idade laboral», refere Tiago.

 

Uma vida social agitada

A vida social deste português a viver na Suécia é preenchida com diversas atividades com outros portugueses: «entre atividades desportivas, tempo com a família (tenho um filho de 4 anos), viagens de lazer e associativismo, ocupo todo o meu tempo livre. O que é bom para combater as saudades de casa. Existem cerca de 1000, 1500 portugueses nesta cidade. Conheço muitos».

 

Curiosidades nórdicas

Liberdade, competência, reconhecimento e alguma frieza são características que Tiago Franco destaca como sendo distintivas do povo nórdico. Tiago explica: «agrada-me a atitude dos nórdicos com o trabalho. Há liberdade, responsabilização, muita competência e diferenças salariais pequenas entre os diferentes níveis hierárquicos. Para um português comum, habituado ao corre-corre e horários complicados nos escritórios de Lisboa, é facílimo vingar neste mercado de trabalho, com muito menos esforço e obtendo o dobro do reconhecimento. Contudo, não posso dizer o mesmo da componente social. Os nórdicos são povos frios. Neste caso, o estereótipo faz sentido. Há uma barreira entre a simpatia e a amizade. Vemos pessoas cordiais pelo caminho, mas com poucos, pouquíssimos, estabeleceremos uma verdadeira amizade».

 

Portugal e as saudades

«Do sol, de Lisboa, do Alentejo, da simplicidade dos encontros, dos jantares pela noite dentro, da comida portuguesa e de algumas pessoas que há anos fazem parte da minha base e que em momento algum me deixaram só».

 

Um lugar em Portugal

«Neste momento não tenho lugar em Portugal. Sinto-me revoltado e quase que sonho todos os dias com um novo 25 de Abril», admite Tiago Franco. No entanto, o português espera um dia regressar, «pelo menos passar temporadas maiores em Portugal».

 

Uma pessoa diferente

«Não sou a mesma pessoa que saiu de Portugal em 2006. Profissionalmente, evoluí muito, conheci mais de 40 países e passei a ver o mundo com outros olhos. Percebo melhor hoje de onde venho. Pessoalmente, passei também por períodos muito difíceis que, não me deitando ao chão, me tornaram mais forte mentalmente. Hoje em dia encaro qualquer desafio sem receio e sem preocupação do que me poderá trazer. Era bastante mais conservador, tímido e inseguro, quando estava em Portugal», diz Tiago.

 

Uma frase para definir a experiência

«Um sonho sem final anunciado».

 

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

Sou Português com orgulho. Para o bem e para o mal. Mantenho a minha nacionalidade intacta e nunca pedirei outra, enquanto Portugal fizer parte do espaço comum europeu.

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É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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