Todos Iguais, Poucos Diferentes

“Mas o que seria da criatividade sem a diferença?”

0
140

Foi aos 25 anos que Diana Isabel Morais de Carvalho, atualmente com 28, decidiu deixar para trás o país que a viu nascer. Juntamente com o seu namorado Lucídio, fez as malas e partiu em busca de uma liberdade financeira que diz não ter conseguido em Portugal. Foi Malta, o país onde reside atualmente o jovem casal, que viu surgir pelas mãos de Diana, a obra “Todos Iguais, Poucos Diferentes”. A primeira obra da autora foi lançado em Portugal em outubro de 2016.

 

A paixão pela escrita

Diana assume que o “bichinho” da escrita sempre esteve presente na sua vida. Surgiu desde muito nova aliado a outra paixão, a leitura. Com apenas oito anos de idade a jovem já lia livros com cerca de trezentas páginas, “sem imagens, narrativa pura” afirma Diana. Aos poucos começou a escrever e criar as suas próprias histórias “lembro-me de mostrar essas pequenas narrativas à minha professora primária. Esses textos estão todos guardados, alguns nunca os mostrei a ninguém”. Já em adulta, a jovem escritora participou no Campeonato de Escrita Criativa onde alcançou um honroso segundo lugar e não mais parou de escrever, criando mais tarde o seu próprio blog.
Já em Malta, Diana começa então a escrever a sua primeira obra “Todos Iguais, Poucos Diferentes” que, segundo a autora, “acabou por ser um desabafo. Precisava de gritar de alguma forma”.

 

“Todos Iguais, Poucos Diferentes”

Foi a 8 de outubro de 2016 que a FNAC de Coimbra recebeu o lançamento desta que foi a primeira obra da autora. Inspirada pela sua própria revolta interior a jovem quis retratar a história de um “louco” a quem preferiu não atribuir qualquer nome para que este não represente apenas uma só pessoa, mas sim que retrate a sociedade no geral.
“O meu livro é muito mais do que a história de um louco, é sobre questionar a nossa própria existência, a nossa sociedade, o nosso pensar. É sobre mim, sobre si, sobre todos nós. Aliás, a personagem principal nem sequer tem nome, porque acaba por nos representar de uma forma geral. Mas acima de tudo, é sobre aqueles que ousam interrogar, que vão mais além do que aquilo que os seus olhos conseguem ver ou os seus ouvidos ouvir. Não é um livro para mulheres nem para homens, é um livro para quem se atreve a filosofar nesta sociedade sem sentido.”

Esta foi também a razão pela qual a jovem escritora optou por não colocar o seu nome “Diana” na capa do livro assinando a obra com Morais de Carvalho, um nome que pode gerar uma certa confusão na cabeça dos leitores por ser associado ao sexo masculino.
A jovem autora que por diversas vezes foi confrontada com a questão se este livro teria algo a ver com a doença que o seu companheiro enfrenta, esclarece que apesar da história das suas vidas ser digna de ser contada, as pessoas ainda não estão preparadas para a ouvir, mas deixa em aberto a possibilidade de um dia transpor para o papel a realidade que viveram enquanto casal.

“Será a nossa história digna de um livro? Sem dúvida! Só não chegou ainda o momento. Muitas pessoas ainda não estariam preparadas para ouvir a realidade por que passámos juntos. Seria expor a minha intimidade de uma forma para a qual ainda não me sinto preparada. Por outro lado, iria-me fazer relembrar de muitos momentos que guardo no meu subconsciente. Uns no auge da felicidade, outros que me empurraram para o abismo. Um dia, sem dúvida… Mas não para já.”

“Todos Iguais, Poucos Diferentes” conta com o prefácio escrito por Jorge Cruz, membro da banda Diabo na Cruz, quando questionada do porquê desta escolha, Diana relembra a música “Os Loucos Estão Certos?” afirmando que esta se enquadra na perfeição no seu livro, “Consigo imaginar a personagem principal, sentada na sua sala, a ouvir esta música” refere.

 

Uma escritora em ascensão

Sem revelar muitos pormenores Diana levanta a ponta do véu e revela que para além de escrever para o seu blog, trabalho que já desenvolve há algum tempo, está também a escrever algo que assume ser bastante mais leve do que crises existenciais. A autora confessa que escrever pode ser um processo muito extenuante “quando escrevo envolvo-me de tal forma com as palavras que consigo sentir o sofrimento, o amor ou a angústia.” Por isso a jovem escritora assume que escrever não pode ser quando quer mas sim quando a sua mente lhe permite.
Diana contou ainda ao Coração Luso que pairam já algumas ideias para uma outra obra profunda como o “Todos Iguais, Poucos Diferentes”, mas, a autora confessa precisar de tempo para sentir o crescimento da personagem dentro de si, só depois poderá dar-lhe vida através das palavras.

 

Como adquirir o livro “Todos Iguais, Poucos Diferentes”

Embora esteja atualmente emigrada em Malta, Diana lançou o seu livro apenas em Portugal uma vez que, “a comunidade portuguesa em Malta é bastante pequena, por isso lançar o livro em português aqui não seria viável. Por outro lado, os Malteses não são muito dedicados à literatura. Assim sendo o lançamento em Malta é algo que, pelo menos por agora, não está nos meus planos” refere a autora.
O livro encontra-se à venda no site da Chiado Editora e em algumas livrarias FNAC mas, Diana encoraja os interessados a entrarem em contacto consigo através da sua página do facebook pois assim, “podem falar um pouco comigo, colocar as dúvidas acerca da obra, a sua opinião e claro obter um exemplar autografado” refere a jovem.
Apesar de assumir que gostaria muito de viver apenas da escrita, Diana revela que é difícil, muito difícil ainda assim, considera-se sonhadora, persistente e bastante teimosa não desistindo de tentar alcançar os seus objetivos, “hoje em dia podemos escrever no nosso blog e partilhar o texto com leitores portugueses, brasileiros, de todo o mundo!” refere a autora assumindo que se regressar a Portugal não será devido à escrita.

 

moraisdecarvalho.blogspot.pt
facebook.com/moraisdecarvalhoescritora

Artigo anteriorIolanda Viegas
Próximo artigoMarco Vieira
Fábia Rodrigues
Natural do Fundão. É licenciada em Jornalismo e Comunicação pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre. Apesar das dificuldades de empregabilidade nesta área, tem total esperança que esta nova “remessa” de jornalistas e profissionais da comunicação vai revolucionar a área levando o jornalismo de volta para aquilo que realmente é, a transmissão clara e verdadeira de informação. É jornalista no Coração Luso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor faça o seu comentário!
Por favor insira aqui o seu nome