A vida é feita de travessias. Fases, ciclos, passagens que, por vezes, podem ser desenhadas no mapa. Como a rota traçada pelos imigrantes que deixam sua pátria em busca de sonhos de uma vida melhor, de um trabalho, de uma oportunidade de estudo, de crescimento pessoal ou profissional.

Outras vezes, essas travessias acontecem de maneira mais interior, no íntimo de nossos corações. O certo é que todo ser humano é convidado a fazer, ao longo da vida, inúmeras travessias. Existem aquelas marcadas pelo tempo cronológico, exemplificadas pelas passagens da infância à adolescência, da adolescência à vida adulta, da vida adulta à velhice, mas esses são apenas alguns exemplos de travessias.

Cada pessoa vai viver também travessias próprias. São períodos em que nos sentimos convidados por uma voz interior a sair da inércia em busca de algo nunca experimentado. Essas mudanças são quase sempre marcadas por uma aridez solitária em que vivenciamos a necessidade de escutar a nossa essência, aquilo que nos é intransferível, que só pode ser compartilhado com os outros após um pleno conhecimento de nós mesmos, de nossos medos, desejos e sonhos. Por isso mesmo, as travessias são, simultaneamente, momentos de crescimento e dor. Onde o novo rompe o velho, dando-nos a chance de renascer para os nossos sonhos.

Aqueles que corajosamente se permitem tais travessias a despeito dos medos, erros e acertos do caminho podem se considerar, antecipadamente, vitoriosos, pois abriram – se às dores e às delícias de viver.

Avançando e recuando conforme a necessidade, mas nunca deixando-se paralisar. Afinal, toda travessia é um abandono confiante de nós mesmos em um caminho que ainda não se vê, mas se crê proveitoso e bom para o nosso futuro.

A vida é, por assim dizer, uma eterna travessia, um movimento contínuo de coragem que empreendemos todos os dias em um alegre caminhar em busca de nossos sonhos.
Mesmo que, por vezes, o caminho seja longo e árduo, é preciso fazer das provações do caminho, exercícios de persistência e disciplina para alcançarmos a vitória que almejamos.

Amir Klink, escritor e velejador, já disse em seu livro Mar sem fim:

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para, um dia, plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

Que possamos, então, fazer nossas travessias por meio de viagens concretas ou num simples e profundo desbravar de nosso próprio coração, mas sempre com a alegria, a humildade e a coragem de eternos aprendizes do exercício de viver.

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