A história de Vando Santinho é uma história diferente de todas as outras que temos publicado. Esta é uma história de amor entre Vando e uma mexicana que conheceu na internet.

 

Sair de Portugal já era uma vontade de Vando. Há cerca de um ano tudo aconteceu de forma rápida e inesperada. «Digamos que aconteceu tudo super rápido. Conheci a minha esposa pela internet, através de um amigo em comum (que até agora ainda estamos a tentar descobrir como ambos o tínhamos agregado). Ela estudava Português aqui no México e eu ofereci-me para ajudá-la a praticar o idioma, tanto escrito como falado. Tornei-me uma espécie de professor dela. Falávamos todos os dias, tanto por internet como por mensagens (que não saíam nada baratas de Portugal para o México. Mas valiam, e valeram, bem a pena). Uma coisa foi levando à outra e quando me dei conta já não passava um segundo em que não estivesse a pensar nela.

Cinco meses depois, Vando estava de viagem marcada para a Cidade do México. Hoje, é casado com Ilsee Rosas, a mexicana que o fez deixar Portugal.

«Tomei a ideia mais louca (e a melhor) da minha vida. Decidi deixar tudo em Portugal e aventurar-me no México. Deixar tudo. Amigos, família, rotinas e vir ao encontro dela. E tudo isto no “longo” espaço de tempo de cinco meses. Sim, aconteceu tudo super rápido.»

 

Os objetivos de vida no México

Viajar, estudar e editar um livro são desejos que Vando pretende realizar fora de Portugal. «Ainda há muitas coisas que desejo fazer: terminar um curso de universidade, editar um livro e viajar.»

E diz que neste último ano a viver no México tem aproveitado para conhecer o país. «Neste ano que tenho vivido no México, dediquei-me simplesmente a ver e conhecer. A viver cada segundo que este país tem para oferecer. Não me dediquei totalmente a desenvolver um projecto, mas tenho utilizado algum tempo para todo o tipo de paixões, fotografia, escrita, etc..»

 

Curiosidade mexicanas

Gastronomia e as celebrações culturais são os principais destaques

 

A gastronomia

«O mais engraçado e estranho que já comi foi grilos. São uns grilos pequenos, chamados chapulines, que são fritos e depois são comidos ou em taco ou como se fossem uma guloseima. Somente com limão, salsa e chile.»

 

Festividades

«Quando falamos de festividades, os mexicanos são bastante animados como os portugueses, mas a festa mais divertida e a que me pareceu culturalmente mais interessante é a do dia de los muertos. No dia 1 de Novembro. Tal como nós temos o dia de todos os santos, os mexicanos festejam o dia dos mortos. É impressionante ver como enfeitam cada pedaço de casa, rua, comércios, até o próprio transporte público. Nessa altura, podemos ver por todos os lados caveiras de todos os tamanhos e feitios, feitas de barro, pintadas com as cores mais berrantes. Com flores desenhadas, corações. Festejam não a tristeza da partida de alguém, mas a felicidade que essas pessoas que partiram vão sentir quando entrarem no outro mundo. Cantam, dançam, fazem oferendas aos mortos, criam pequenos altares com as coisas que os defuntos mais gostavam em vida, para que saibam que não foram esquecidos. Há um aroma constante a flores e o incenso inunda o ar e as ruas, e os dias ficam mais coloridos e animados. Ainda que culturalmente seja uma festividade parecida ao dia de todos os santos, todo o ritual de criar oferendas, enfeitar as casas e os comércios, as ruas, de comprar caveiras de barro para pôr em todos os cantos e embelezar tudo com flores torna o dia de los muertos numa festividade que vale mesmo a pena viver.»

 

Os casamentos

«Tal como em Portugal, aqui também existe uma expressão para quando chove nos casamentos. A nossa expressão é “casamento molhado, casamento abençoado”. Aqui diz-se que se nos três primeiros dias de vida conjugal o casal “apanhar uma chuvada”, brindada pelo deus da chuva e da fertilidade Tláloc, ficam abençoados para o resto da vida.»

 

«Um emigrante, pouco emigrante»

«Desde que aqui cheguei disse a mim mesmo que quanto mais tentasse levar o mesmo estilo de vida que levava em Portugal, mais difícil seria. Então desde o princípio que tentei o máximo possível viver como mexicano. Claro que há coisas que não se podem mudar ou custam muito. Mas tento sempre o mais possível “misturar-me” com o dia-a-dia no México.»

 

Uma comunidade portuguesa «reduzida»

Vando considera a comunidade portuguesa no México «reduzida» em comparação com outros países. «Conheço alguns portugueses, mas a comunidade portuguesa é bastante reduzida quando comparada com países como a França ou a Suíça, e está distribuída por todo o país, o que por vezes torna difícil conciliar dias e horários para fazer uma reunião ou um convívio. E acabo sempre por fazer bastantes amizades entre o povo mexicano e conviver com eles um pouco mais.»

 

Portugal e as saudades

«Saudades da comida da mãe. De tudo, na realidade. É difícil escolher só uma coisa para dizer que sinto mais falta ou saudades dela. Sinto falta dos montes da minha terra, do ar. Do sabor dos dias de inverno quando o frio aperta e o sol é tão tímido que não aparece durante todo o dia. Sinto falta da família e dos amigos, até das rotinas. É sempre complicado escolher uma só coisa de que sentimos falta quando falamos de Portugal.»

 

Portugal, só nas férias

«Pretendo regressar a Portugal, mas de momento unicamente de férias. Ir para Portugal para ficar ainda não. Ainda há muito que quero fazer e conhecer antes de regressar de vez. Há muitos países que quero conhecer, muitas culturas que quero descobrir.»

 

Mais do que tudo é um Coração Luso

100% português, e sem duvida um coração luso. Coração, alma e ser.

Artigo anteriorVitor e Mario Lopes
Próximo artigoBruno Colaço
É a mentora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.