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Vitor e Mário têm muito em comum. O apelido Lopes, em primeiro lugar, o facto de serem irmãos, em segundo e o de serem argentinos, em terceiro. Neste momento, os leitores do Coração perguntar-se-ão: ‘Afinal o que tem de luso esta história?’, e esse é o momento para revelar o quarto factor: ambos são luso-descendentes. Ainda assim, dirão, até agora, temos tratado apenas casos de ‘portugueses a 100%’. Pois descobrirão no decorrer destas linhas, que entre o sangue argentino que lhes corre nas veias, o português, muitas vezes, fala mais alto que o de muitos que vivem em Portugal. ‘Ganhámos este amor por uma questão de transmissão familiar, porque nos habituámos a ouvir os nossos pais falar sobre um Portugal que não sabiam se iam voltar a ver ou não, de todos os afectos que deixaram, de terem a alma partida em duas’, explica Vitor ao Coração Nómada.

António e Maria Luísa vieram para a Argentina há 63 anos atrás, buscando a sorte que o regime e a vida em Portugal lhes negava. Do outro lado do Atlântico encontraram trabalho, formaram uma família e alcançaram uma vida estável para si e para os seus três filhos, Vitor, Mario e Andrea. Mas, faltava-lhes a música, a comida, as paisagens de São Brás de Alportel e os amigos que tinham deixado, por isso, recriaram em Buenos Aires um pouco do que lhes faltava.

‘A família que não tínhamos criou-se entre os portugueses que frequentavam a nossa casa’, recorda Mario Lopes que afirma: ‘Juntavam-se lá em casa aos sábados e aos domingos para cantar e contar histórias, escutava-se a rádio de Portugal e rezava-se o Pai Nosso em português’. Na casa familiar de Buenos Aires, criou-se uma família de amigos. ‘Só mais tarde na vida descobri que os meus tios, não eram meus tios, que os meus avós eram outros que não os que conhecia e que os muitos primos que tinha, na verdade não tinham comigo qualquer grau de parentesco’,  acrescenta Vitor.

 

Antonio Vitor Lopes

Recebeu o Coração Nómada num lugar onde, a par, ondulavam duas bandeiras, uma de Portugal e outra da Argentina. Na Pousada São Brás – assim nomeada em homenagem à terra natal dos seus pais -, em Villa General Belgrano, província de Córdoba, Antonio Vitor Lopes estabeleceu a base para um extenso trabalho de divulgação da cultura portuguesa.

Concertos de fado, com fadistas de Portugal, workshops de tapetes de Arraiolos, divulgação de filmes e documentários portugueses, apoio e promoção de projectos musicais de fusão entre o Fado e o Tango, foram algumas das iniciativas desenvolvidas nos cinco anos em que esteve à frente da pousada.

‘Não represento ninguém além de mim próprio’, faz questão de repetir enquanto desfia o rol de actividades que desenvolveu com o intuito de divulgar a cultura portuguesa. ‘Fomos às escolas da Villa e distribuímos mapas de Portugal às crianças, ensinamos-lhes o que é esse país e como são as pessoas que lá vivem’, conta, falando sempre no plural para sublinhar que o esforço não foi só seu.

Mas não foi só ao nível local que se esboçaram iniciativas: ‘Apresentámos, no Senado da Nação Argentina, um projecto para que o dia 6 de Outubro – dia do falecimento de Amália Rodrigues – seja declarado Dia Nacional do Fado’, avança este aficionado da música portuguesa que, no ano passado, foi pela primeira vez a Portugal e fez questão de visitar a Tasca do Chico, em Lisboa.

‘Estou muito satisfeito com tudo o que se fez, mas como nada é permanente na vida e sou uma pessoa que constantemente busca novas coisas, percebi que está na altura de procurar novos desafios’, confidenciou Vitor quando no mês passado nos encontrámos em Cordoba. ‘Agora que considero a minha missão em Villa General Belgrano concluída – dei a conhecer Portugal, a sua cultura e o seu capital humano –, tenho um sonho: fazer uma casa de Fado e Tango, em Buenos Aires’, disse, levantando um pouco do véu do seu projecto futuro.

Neste momento, Vitor encontra-se na capital federal da Argentina, esperamos que dando os primeiros passos para concretizá-lo.

 

Mario Lopes

Lê os jornais diários portugueses, gosta de caracóis e açorda, fala com propriedade dos assuntos económicos europeus e indigna-se com a crise portuguesa. Fala em castelhano, mas lê em português e emociona-se ao contar sobre as histórias de tantos portugueses imigrantes que nas décadas de 20 a 60 vieram para a Argentina em busca de melhor sorte.

‘Foram vidas de muito sacrifício’, diz, recordando as conversas que teve com os 90 imigrantes que entrevistou para o livro ‘Portugueses na Argentina’. Da publicação, que será a primeira do género no país, ‘constam as histórias das mulheres portuguesas que num país estranho perderam os seus filhos e que, à chegada, como que antecipando as dores por vir, choravam, pois não reconheciam nada do que viam à sua volta’, explica Mario.

A curiosidade sobre as suas origens, sobre um Portugal que nunca conheceu e sobre a vida dos portugueses emigrantes, é fruto da educação que teve, mas não só.  É também um ‘defeito’ profissional. Jornalista de profissão, Mario tem há 28 anos um programa matinal na rádio FMDesire de Puerto Deseado, na Patagónia argentina, é director do semanário El Orden, o semanário mais antigo da cidade fundado em 1920, e escreve para o diário de Rio Gallegos, como correspondente.

‘Fui criado ouvindo falar sobre Portugal e sempre tive um carinho especial pelo país, ainda assim, durante a minha adolescência isso esteve um pouco adormecido’, explica, acrescentando que ‘foi um amor recuperado mais tarde na minha vida e ao qual agora presto homenagem com este livro’.

O livro ‘Portugueses na Argentina’ será publicado em Outubro. Para saber mais sobre este projecto entre em Portugueses na Argentina e no Mundo.[/vc_tab][vc_tab title=”Texto traduzido para espanhol por Mário Lopes” tab_id=”1422515723373-2-2″]

Víctor y Mario tienen mucho en común. El apellido Lopes, el hecho de ser hermanos, en segundo y el de ser argentinos, en tercero. En este momento los lectores de Corazón se preguntarán qué tiene de luso esta historia, y es el momento para revelar el cuarto factor: ambos son lusodescendientes. Así y todo, recordarán que hasta ahora hemos tratado únicamente casos de portugueses al 100 %. Bien; en estas líneas descubrirán que entre la sangre argentina que corre por sus venas, el portugués muchas veces habla más fuerte que el de muchos que viven en Portugal.”Logramos este amor por una cuestión de transmisión familiar, porque nos acostumbramos a escuchar a nuestros padres hablar de un Portugal al que no sabían si podrían volver a ver, de todos los afectos que dejaron, de tener el alma partida en dos”, explica Víctor a Corazón Nómada.

 

Su padre llegó a la Argentina hace sesenta y tres años, buscando las posibilidades que el régimen de vida en Portugal les negaba. Del otro lado del Atlántico encontraron trabajo, formaron una familia y alcanzaron una vida estable para ellos y para sus tres hijos: Víctor, Mario y Andrea. Aún así, les faltaba la música, la comida, los paisajes de São Brás de Alportel y los amigos que habían dejado. Por eso, recrearon en Buenos Aires un poco de lo que les faltaba.

“La familia que no teníamos se formó entre los portugueses que frecuentaban nuestra casa”, recuerda Mario Lopes, que afirma: “se juntaban en casa los sábados y los domingos para cantar y contar historias; se escuchaba la Hora Portuguesa y mi mamá nos enseñaba el Padre Nuestro en portugués”. En la casa familiar de Buenos Aires se armó una familia de amigos. “Mucho tiempo después descubrí que algunos tíos no eran tios, que mis abuelos eran otros, a los que no conocía y que los primos en realidad no eran primos”, agrega Víctor.

 

Víctor Antonio Lopes

Recibió a Corazón Nómada en un lugar donde ondeaban juntas dos banderas, una de Portugal y otra de Argentina. En la Posada San Bras, llamada así en homenaje a la tierra natal de sus padres, en Villa General Belgrano, provincia de Córdoba, Víctor Antonio Lopes estableció la base pare para un gran trabajo de divulgación de la cultura portuguesa.

Recitales de fado, con fadistas de Portugal, talleres de tapices de Arraiolos, proyección de películas y documentales portugueses, apoyo y promoción de proyectos musicales donde se fusionan el fado y el tango, fueron algunas de las iniciativas que concretó en los diez años en que estuvo al frente de la posada.”No represento a nadie aparte de a mí mismo”, se encarga de repetir, mientras reseña las actividades realizadas para difundir la cultura portuguesa. “Fuimos a las escuelas del pueblo y distribuimos mapas de Portugal a los alumnos, les enseñamos lo que es el país y cómo es su gente”, cuenta, hablando siempre en plural para aclarar que el esfuerzo no fue sólo de él.Las iniciativas no fueron solamente locales. “Presentamos en el Senado de la Nación Argentina un proyecto para que el día 6 de octubre, día del fallecimiento de Amalia Rodrigues, sea declarado día nacional del Fado”, agrega este amante de la música portuguesa que el año pasado fue por primera vez a Portugal y se propuso, entre otros objetivos, visitar la Tasca do Chico, en Lisboa.”Estoy muy satisfecho con todo lo que se hizo, pero como nada es permanente en la vida y soy una persona que siempre busca cosas nuevas, entendí que este es el momento de buscar nuevos desafío”, confió Víctor cuando nos encontramos en Córdoba. “Ahora que concluyó mi etapa en Villa General Belgrano, tengo un sueño: instalar una casa de fado y tango en Buenos Aires”, dijo, desvelando un poco sus proyectos futuros. En este momento Víctor ya se encuentra en Buenos Aires, dando sus primeros pasos para concretar esta idea.

 

Mario Lopes

Lee los diarios de Portugal, gusta de los caracoles y la sabrosa sopa de ajos originaria de Alentejo, habla con conocimiento de los temas económicos europeos y se indigna con la crisis portuguesa. Habla en español, pero lee en portugués y se emociona al contar las historias de tantos portugueses inmigrantes que entre las décadas de 1920 y 1960 llegaron a Argentina buscando mejor suerte.”Fueron vidas muy sacrificadas”, dice, recordando las charlas que tuvo con alrededor de noventa inmigrantes que entrevistó para su libro “Portugal Querido”. En este libro, el primero de su género en el país, “constan las historias de las mujeres portuguesas que en un país extranjero perdieron sus hijos y que, al llegar, como anticipando las penas que vivirían, lloraban porque no reconocían nada de los paisajes que habían dejado atrás”, explica Mario.La curiosidad sobre sus orígenes, sobre un Portugal que nunca conoció y sobre la vida de los portugueses emigrantes son fruto de la educación que tuvo, pero también se debe a un “defecto” profesional. Periodista de profesión, conduce hace veintiocho años un programa en la radio FM Desiré de Puerto Deseado, en la Patagonia argentina, y es el director del semanario El Orden, el más antiguo de la provincia de Santa Cruz, fundado en 1920, y es corresponsal de un diario de Río Gallegos. “Fui criado escuchando hablar sobre Portugal y siempre tuve un cariño especial por el país. De todos modos durante la adolescencia eso estuvo un poco dormido”, explica, añadiendo que “fue un amor recuperado más tarde en mi vida y al que ahora rindo homenaje con este libro”.
El libro será publicado en octubre. Para saber más sobre este proyecto se puede consultar en Portugueses en Argentina y el mundo.[/vc_tab][/vc_tabs]

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